A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o crime organizado no Brasil está prestes a retomar suas atividades, com um foco especial em ouvir governadores e representantes do Banco Central. Essa nova fase dos trabalhos ocorre após uma pausa no Congresso Nacional devido ao feriado, e as sessões estão programadas para esta semana.
Na terça-feira, 7 de novembro, a CPI receberá Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, e André de Albuquerque, secretário nacional de Políticas Penais. O convite a Rocha se deve às controvérsias envolvendo seu escritório de advocacia, que é acusado de ter vínculos comerciais com entidades investigadas nas operações “Compliance Zero” e “Carbono Oculto”, ambas conduzidas pela Polícia Federal. Além disso, a CPI quer entender o papel do governador nas decisões do Banco de Brasília (BRB), que é um banco público sob sua administração e está sendo investigado por suas operações com o Banco Master.
André de Albuquerque, por sua vez, deve abordar as iniciativas do governo para enfrentar a influência das facções criminosas nos presídios do país. O Sistema Nacional de Políticas Penais e Prisionais (Senappen), que está ligado ao Ministério da Justiça, é responsável pela administração do sistema penitenciário e pela formulação de políticas que visam combater o crime organizado no ambiente prisional.
Na quarta-feira, 8 de novembro, a CPI convocou Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, e Roberto Campos Neto, seu antecessor. Galípolo participou de uma reunião em novembro de 2024 que também contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. A CPI busca esclarecimentos sobre o propósito da reunião e os limites das funções das autoridades monetárias.
Campos Neto, que não compareceu à convocação anterior por ter solicitado proteção ao Supremo Tribunal Federal (STF), será questionado sobre os processos que o Banco Central adota para permitir a entrada de novos controladores no sistema financeiro nacional.
A CPI tem como objetivo principal investigar a atuação de milícias e grupos de tráfico de drogas, e o relator Alessandro Vieira apresentou um plano de trabalho que inclui ouvir especialistas na área e representantes da segurança pública. A retomada das atividades da CPI é um passo significativo na luta contra o crime organizado, um problema que afeta diversas esferas da sociedade brasileira.
Além das atividades da CPI, a semana no Congresso será marcada pela reabertura de comissões e sessões plenárias, embora a agenda do presidente Lula ainda não tenha sido divulgada. A expectativa é que os depoimentos e discussões na CPI tragam à tona informações relevantes sobre a conexão entre poder público e o crime organizado, contribuindo para o avanço das investigações e para a formulação de políticas mais eficazes no combate a esses grupos criminosos.
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