CPI do INSS Rejeita Relatório que Pedia Indiciamentos de Figuras Políticas e Empresariais
No início da madrugada deste sábado, 28 de outubro, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS rejeitou, por 19 votos a 12, o parecer do relator Alfredo Gaspar (PL-AL). O relatório incluía pedidos de indiciamento de nomes proeminentes, como Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE), além de outras 211 pessoas.
Após a votação, o presidente da CPI, senador Carlos Viana, não acatou um pedido dos membros da base governista para a votação de um texto alternativo. Em consequência, a reunião foi encerrada sem a aprovação de um relatório final. O documento original sugeria a prisão preventiva de Lulinha, que reside atualmente na Espanha, sob a justificativa de risco de fuga. Curiosamente, o relatório deixou de fora o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que teria participado de operações financeiras com o banqueiro.
A base do governo, em desacordo com o relatório de Gaspar, apresentou uma versão alternativa que solicitava 170 indiciamentos, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro, sob acusações de organização criminosa, improbidade administrativa e furto qualificado contra idosos. Contudo, esta versão não chegou a ser discutida.
Para barrar o relatório de Gaspar, o governo mobilizou seus aliados. O senador Jaques Wagner (PT-BA) fez uma viagem urgente de Salvador a Brasília para participar da votação. Além disso, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi exonerado para assumir sua cadeira no Senado e também votou. Sua suplente, Margareth Buzetti, é conhecida por sua posição de oposição ao governo Lula.
O relatório final da CPI foi apresentado na sexta-feira, 27 de outubro, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu a prorrogação dos trabalhos da comissão. A leitura do documento, que possui 4.340 páginas, durou cerca de oito horas. No parecer, Gaspar recomendou que os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, fossem investigados por possíveis crimes, incluindo tráfico de influência em suas relações com Vorcaro.
Além disso, o relatório revelou uma rede de 41 empresas que, segundo a investigação, teriam sido utilizadas para a lavagem de dinheiro e pagamento de propinas de diferentes esquemas. Este conglomerado movimentou aproximadamente R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025. O texto aponta que a maioria dessas empresas é suspeita de serem de fachada, com indícios de movimentações financeiras em curtos períodos.
Por fim, Gaspar solicitou o indiciamento de dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi, que esteve à frente da pasta durante o governo Lula, e José Carlos Oliveira, que comandou o ministério durante a gestão Bolsonaro. A Lupi foram atribuídos crimes como prevaricação e fraude eletrônica, enquanto Oliveira enfrentou acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outras infrações.
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