Banco Pleno S.A. em Liquidação: CPMI do INSS Amplia Investigações
O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., desencadeando um novo capítulo nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma série de requerimentos para convocar ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro que mantiveram vínculos com a instituição, considerada um satélite do Banco Master.
A CPMI foi criada para investigar fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), reveladas pela Operação Sem Desconto da Polícia Federal. Entre os convocados estão Flávia Carolina Peres, ex-ministra da Secretaria de Governo, e os ex-ministros da Cidadania Ronaldo Vieira Bento e João Inácio Ribeiro Roma Neto. Correia também requisitou a convocação de Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master.
No pedido para ouvir Flávia Peres, o deputado argumenta que é essencial investigar as responsabilidades decorrentes de ações e omissões relacionadas às fraudes no INSS. Ele destaca que ela fez parte do Conselho de Administração do Banco Pleno, cuja liquidação ocorreu em meio a investigações que ligam a instituição ao Banco Master. Flávia é casada com Augusto Lima, que dirigiu o banco antes da intervenção.
Em relação a Ronaldo Vieira Bento, Correia menciona que, após deixar o cargo, o ex-ministro assumiu posições estratégicas em empresas ligadas ao Banco Master. Um documento da Controladoria-Geral da União aponta que 93% dos contratos de consignação vinculados ao Auxílio Brasil foram firmados em outubro de 2022, levantando preocupações sobre descontos indevidos.
Quanto a João Roma, o requerimento destaca a necessidade de apurar responsabilidades por ações e omissões ligadas às fraudes no INSS, especialmente em relação às conexões políticas que possam ter influenciado a estrutura financeira investigada. O texto menciona ligações políticas com agentes do Banco Master e do Banco Pleno.
Além das convocações, Rogério Correia solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Banco Pleno S.A., fundamentando-se em dispositivos da Constituição Federal e em leis complementares. O pedido inclui a elaboração de Relatórios de Inteligência Financeira pelo COAF e a transferência de informações sobre contas e ativos mantidos em instituições financeiras desde 1º de janeiro de 2019 até 18 de fevereiro de 2026.
Na justificativa, o deputado ressalta que a liquidação foi motivada pela deterioração da situação econômica do banco e recorda a prisão de Augusto Lima durante a Operação Compliance Zero. O texto também aponta suspeitas sobre irregularidades na venda de carteiras de crédito consignado ao BRB, com prejuízos estimados em mais de R$ 12 bilhões.
Com a presença de ex-integrantes do governo Bolsonaro na administração do Banco Pleno, a necessidade de esclarecimentos sobre possíveis vínculos entre decisões políticas e operações financeiras se torna evidente. A CPMI deve deliberar sobre os requerimentos nas próximas sessões, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre os fluxos financeiros e as relações entre os dirigentes do banco e os agentes públicos envolvidos.
Fonte: Link original




































