Cresce sinistralidade com ciclistas em SP: ciclovias em crise

A imagem mostra uma cena urbana com uma ciclovia vermelha à esquerda e uma faixa de pedestres à direita. Um ciclista usando capacete e mochila está pedalando na ciclovia. Ao lado, há duas pessoas paradas na calçada, uma mulher de cabelo castanho e um homem de terno. Na rua, há dois carros parados próximos à faixa de pedestres. Ao fundo, é possível ver prédios e árvores, além de algumas placas de sinalização.

Em um cenário em que o uso de bicicletas tem crescido em São Paulo, as políticas públicas municipais não têm acompanhado essa tendência, resultando em infraestrutura inadequada e um aumento nas ocorrências de sinistros envolvendo ciclistas. Em janeiro de 2025, as estatísticas indicaram um aumento de 15% nas ocorrências de acidentes em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas. Segundo Mateus Humberto, professor da Escola Politécnica da USP, a falta de manutenção das ciclovias, que incluem largura insuficiente, buracos e limpeza inadequada, são fatores que contribuem para esse aumento, agravando a situação dos ciclistas.

O cenário de transporte em São Paulo tem mudado, com uma queda no número de passageiros de ônibus, que caiu de 7,13 milhões em 2024 para 7,05 milhões em 2025, refletindo uma migração para o transporte individual, especialmente motocicletas e bicicletas. A pandemia e a ascensão do home office também influenciaram essa mudança, levando muitos a buscarem meios de transporte individuais. Desde 2016, a média de passageiros de ônibus já apresentava uma queda significativa, indicando uma tendência de longo prazo.

Embora as bicicletas se apresentem como uma alternativa viável ao transporte coletivo e automotivo, a infraestrutura cicloviária em São Paulo é insuficiente para atender a uma população diversificada. A maior parte dos sinistros ocorre fora das ciclovias, onde a convivência entre ciclistas e veículos motorizados é mais conflituosa. Humberto ressalta que a estrutura cicloviária atual não atende adequadamente a diferentes perfis de ciclistas, como mulheres, crianças e pessoas idosas, que enfrentam barreiras para se locomover de forma segura.

Para melhorar a situação, os especialistas sugerem a revisão do manual cicloviário do Estado, incluindo a criação de áreas não cicláveis nas sarjetas e a implementação de separações adequadas entre ciclistas e veículos motorizados, conforme a legislação. Um projeto chamado Bike SP, que visa oferecer incentivos financeiros para ciclistas que utilizam bicicletas para ir ao trabalho, também está em andamento, mas ainda carece de regulamentação e apoio efetivo da Prefeitura.

Outro aspecto fundamental para a segurança no trânsito é a educação. Cassiano Isler, também professor da Poli, enfatiza que a educação no trânsito é crucial para promover o respeito entre motoristas e ciclistas, especialmente considerando que ciclistas e pedestres são os usuários mais vulneráveis. A falta de conscientização e respeito por parte dos motoristas pode ser uma barreira significativa para a segurança viária.

Portanto, é imperativo que as autoridades municipais implementem políticas públicas adequadas e que a sociedade adote uma postura mais respeitosa em relação aos ciclistas. O fortalecimento da infraestrutura cicloviária e a promoção de um trânsito mais seguro são passos essenciais para que o uso de bicicletas se torne uma opção viável e segura para um número maior de paulistanos. A conexão entre o transporte individual e o sistema público de transporte deve ser uma prioridade para garantir uma mobilidade urbana sustentável e inclusiva.

Fonte: Link original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Categorias

Publicidade
Publicidade

Assine nossa newsletter

Publicidade

Outras notícias