O projeto sionista de colonização da Palestina, conforme exposto pela cozinheira e escritora Sandra Guimarães, vai além da ocupação de terras e casas, estendendo-se à cultura alimentar do povo palestino. Sandra, que viveu seis anos na Cisjordânia, argumenta que a alimentação é uma das frentes mais estratégicas da ocupação israelense, com o objetivo de destruir a conexão histórica e cultural dos palestinos com sua terra.
Um dos símbolos mais significativos dessa conexão é a oliveira. Árvores centenárias, que representam a presença palestina na região há milênios, são sistematicamente destruídas pelo exército israelense. A destruição dessas oliveiras não apenas desmantela uma fonte vital de sustento econômico, mas também corta os laços afetivos que os palestinos têm com suas raízes familiares e culturais. Guimarães enfatiza que a destruição de oliveiras é uma estratégia deliberada para deslegitimar a presença palestina na terra.
Durante seu tempo na Palestina, Guimarães trabalhou em projetos destinados a gerar renda e preservar a cultura alimentar palestina, especialmente entre mulheres refugiadas. Mesmo em campos de refugiados, onde o acesso à terra é severamente limitado, os palestinos tentam manter a conexão com suas tradições alimentares. A prática de cultivar alimentos em pequenos espaços é uma forma de resistência e sobrevivência, refletindo a importância da comida tradicional na identidade palestina.
A autora também traça um paralelo entre a colonização na Palestina e a situação no Brasil, onde a exploração de recursos naturais e a apropriação da cultura indígena são semelhantes às táticas usadas em Israel. Assim como os palestinos perdem suas terras para granjas de criação de aves, os indígenas brasileiros enfrentam a invasão de suas terras para a exploração agrícola e pecuária.
A apropriação da culinária palestina por Israel é outro aspecto crucial. Pratos como hummus e falafel, que têm origens profundas na cultura palestina, são apresentados como “típicos israelenses”, criando uma narrativa que tenta apagar a identidade palestina. Essa apropriação busca reforçar a presença israelense na região, deslegitimando a história e a cultura do povo palestino.
Além disso, o controle de recursos hídricos por Israel é uma estratégia de colonização que agrava a situação dos palestinos. A água, essencial para a agricultura e a vida cotidiana, é monopolizada por empresas israelenses, enquanto os palestinos enfrentam escassez crônica. Essa desigualdade é um reflexo do sistema de colonização que permeia todos os aspectos da vida palestina.
A proibição de colher vegetais silvestres, como o zatar, também é uma forma de desmantelar a cultura alimentar palestina. Esta prática, que envolve momentos familiares e tradicionais, é suprimida, resultando na perda de conexões afetivas com a terra. A melancia e a oliveira emergem como símbolos de resistência, representando a luta e a esperança do povo palestino.
Em resumo, a alimentação é um campo de batalha na luta pela identidade e pela sobrevivência do povo palestino. A destruição de suas tradições alimentares e a apropriação cultural pela colonização israelense são táticas que visam deslegitimar e desarraigar os palestinos de sua terra e de sua história. A resistência, portanto, se manifesta não apenas em ações políticas, mas também nas práticas alimentares e na preservação da cultura.
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