O relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi rejeitado pela maioria de seus membros, levantando novas questões sobre o escândalo do Banco Master que ainda carecem de investigação. A falta de comprovação de legalidade em 251.718 contratos entre 2021 e 2025, que permitiram ao Banco Master realizar descontos diretos nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas, foi um dos pontos críticos do relatório. O INSS chegou a bloquear R$ 2 bilhões relacionados ao banco. O constitucionalista André Marsiglia sugere que as lacunas deixadas pela CPMI podem impulsionar a criação de uma nova CPI para investigar especificamente o Banco Master.
A oposição já possui assinaturas suficientes para iniciar uma nova comissão, mas a criação está sendo barrada pelas lideranças do Senado e da Câmara. O documento da CPMI, que contém mais de cinco mil páginas, menciona o Banco Master e seu presidente, Daniel Vorcaro, diversas vezes, descrevendo-os como centrais em um esquema que envolveu irregularidades. Apesar das tentativas de contato, tanto a defesa de Vorcaro quanto o Banco Master não se manifestaram até a publicação do material.
Na leitura do relatório, a defesa de Vorcaro afirmou que ele está colaborando com as autoridades e contestou medidas como a prisão preventiva. Vorcaro permanece preso na superintendência da PF em Brasília, e seus advogados afirmam que ele sempre se mostrou disponível para esclarecer os fatos. A necessidade de uma investigação mais aprofundada é reforçada, dada a possibilidade de que novos nomes de parlamentares e autoridades possam surgir no escopo da investigação.
Além das irregularidades no Banco Master, o relatório da CPMI destacou a ausência de documentação em 84,3% das operações analisadas, falhas nas validações biométricas e manipulação da margem consignável, que aumentou o endividamento dos beneficiários. O senador Carlos Viana, relator da CPMI, expressou preocupação com a falta de tempo para investigar a fundo, citando reclamações por cobranças indevidas e averbações não autorizadas.
O relatório também sugeriu indícios de práticas ilícitas envolvendo familiares de autoridades, mencionando a necessidade de investigar contratos de honorários advocatícios que poderiam estar relacionados a membros do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento recomenda que instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal analisem esses contratos em busca de possíveis irregularidades ou tráfico de influência.
As investigações do Congresso sobre o Banco Master agora dependem de novas movimentações políticas, enquanto o relatório criticou a gestão de provas durante a investigação. O Banco Master, que foi alvo da Operação Sem Desconto, é acusado de priorizar produtos de crédito consignado que resultaram em dívidas impagáveis para os beneficiários. Além disso, o relatório aponta a possibilidade de que o banco tenha se envolvido em esquemas fraudulentos, como a revenda de carteiras de crédito de empresas mal fiscalizadas.
Por fim, o relatório propôs o indiciamento de Vorcaro por vários crimes, incluindo organização criminosa e lavagem de dinheiro, mas a rejeição do relatório na CPMI fez com que essas acusações não fossem formalmente apresentadas. Vorcaro está sob investigação, e sua defesa considera a possibilidade de uma delação premiada, que poderia amenizar suas penas, mas não evitar o indiciamento.
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