Uso de Semaglutida para Emagrecimento Pode Impactar a Saúde Bucal: Entenda os Riscos
Nos últimos anos, o uso de medicamentos para emagrecimento à base de semaglutida, como o Ozempic, tem crescido de forma alarmante no Brasil. De acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia, em 2025, o consumo dessas "canetas emagrecedoras" aumentou 88% em relação ao ano anterior. Entretanto, esse aumento não vem sem preocupações: profissionais de saúde estão alertando para os potenciais efeitos colaterais, especialmente no que diz respeito à saúde bucal.
O que muitos não sabem é que o uso desses medicamentos pode estar relacionado a problemas menos discutidos, como o mau hálito, conhecido popularmente nas redes sociais como "bafo de Ozempic". Este fenômeno está associado a mudanças no metabolismo, digestão e à redução da produção de saliva, fatores que podem agravar a halitose.
Alterações Metabólicas e Mau Hálito
A cirurgiã-dentista Bruna Conde, especialista em halitose, explica que o mau hálito nesses casos não é diretamente causado pelo medicamento, mas sim pelas transformações que ele provoca no organismo. "Esses medicamentos diminuem o apetite e retardam o esvaziamento gástrico. Como resultado, o paciente tende a comer menos e a passar mais tempo em jejum, o que impacta a produção de saliva e favorece o mau hálito", destaca.
Quando a ingestão de alimentos é reduzida, especialmente carboidratos, o corpo começa a usar gordura como fonte primária de energia, gerando corpos cetônicos. Esses compostos são eliminados pela respiração e podem resultar em um hálito com odor adocicado ou metálico, que não está necessariamente relacionado à falta de higiene bucal.
Importância da Saliva na Saúde Bucal
Outro aspecto importante a ser considerado é a diminuição do fluxo salivar. A saliva desempenha um papel crucial na proteção da saúde bucal, controlando a proliferação de bactérias e neutralizando substâncias que causam mau odor. Com a redução na alimentação e, em alguns casos, na ingestão de líquidos, a produção de saliva cai, criando um ambiente favorável à halitose.
Além disso, o mecanismo de ação desses medicamentos, que inclui o retardo do esvaziamento gástrico, pode provocar sintomas digestivos como refluxo e sensação de estufamento, que também impactam negativamente o hálito. Mesmo com queixas gástricas, especialistas afirmam que, frequentemente, o mau hálito está ligado a fatores bucais, como a presença de saburra lingual e alterações na saliva.
Como Prevenir o Mau Hálito Durante o Tratamento
Embora o "bafo de Ozempic" possa ser temporário, o mau hálito persistente deve ser avaliado por um dentista especializado. Atualmente, existem dispositivos que podem medir, em tempo real, os compostos responsáveis pelo odor do hálito, facilitando um diagnóstico preciso e o direcionamento do tratamento.
Antes de iniciar o uso da medicação, é recomendável que o paciente busque a avaliação de um profissional qualificado para identificar fatores como saburra lingual e alterações no fluxo salivar. Manter a saúde bucal equilibrada é fundamental para reduzir o risco de mau hálito durante o tratamento.
Além disso, é essencial manter acompanhamento médico e odontológico, garantir boa hidratação, evitar longos períodos de jejum e reforçar a higiene bucal, incluindo a limpeza da língua. Essas medidas são fundamentais para controlar e minimizar o problema do mau hálito associado ao uso de semaglutida.
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