Desembargador concede liminar a filho de ministro após viagem com Nunes Marques

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O desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), concedeu uma liminar favorável ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, em um contexto que levanta questões sobre a imparcialidade e as relações pessoais no judiciário. A decisão ocorreu cerca de um mês após uma viagem em que Ramos e o ministro estiveram juntos em Maceió, Alagoas, em novembro de 2025, organizada pela esposa de Ramos, Camilla Ewerton Ramos. Camilla, que também é advogada, tem laços profissionais com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, que é proprietário da aeronave utilizada na viagem.

De acordo com informações do jornal Estadão, a contratação do voo foi privada e celebrava o aniversário de Camilla, que teria dito que o evento foi uma reunião de amigos. A relação entre Ramos e Nunes Marques é antiga, remontando ao período em que Ramos atuou como juiz auxiliar de Nunes Marques no TRF-1 entre 2018 e 2020. Em 2023, com o apoio do ministro, Ramos foi promovido a desembargador.

A liminar favorável a Kevin Marques foi solicitada em um processo movido por uma refinaria contra uma fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que resultou na interdição da unidade. Embora não fosse o relator do caso, Ramos atuou como relator substituto e aceitou o pedido de suspensão do julgamento, o que levantou preocupações sobre a validade da sua atuação, dada a ligação familiar com uma das partes envolvidas.

O desembargador, ao ser questionado sobre possíveis impedimentos, afirmou que o caso não se enquadrava nas hipóteses legais que justificariam sua recusa em julgar o pedido. Por sua vez, Kevin de Carvalho Marques optou por não se manifestar sobre a situação. A relação entre Ramos e Nunes Marques, além de sua promoção ao cargo de desembargador, sugere uma rede de conexões que pode influenciar decisões judiciais, gerando desconfiança sobre a imparcialidade do sistema.

A reportagem também menciona que o Gazeta do Povo tentou contato com ambos, mas não obteve resposta até a publicação da matéria. O espaço foi aberto para manifestações e esclarecimentos, evidenciando a necessidade de transparência em processos judiciais que envolvem figuras de destaque e suas famílias.

Essa situação destaca a importância da ética e da integridade no judiciário, especialmente em casos que envolvem decisões que podem beneficiar indivíduos com laços pessoais com os magistrados. O episódio também acende um debate sobre a necessidade de regulamentação mais rigorosa e supervisão em relação a conflitos de interesse no sistema judicial brasileiro, a fim de preservar a confiança pública na justiça e garantir que todos sejam tratados de maneira equitativa sob a lei.

Fonte: Link original

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