Desigualdades Regionais Comprometem Índice de Alfabetização Infantil

Brasil registrou avanço significativo de 36% das crianças que foram alfabetizadas na idade adequada

Em 2025, o Brasil alcançou um importante progresso na alfabetização infantil, com 36% das crianças alfabetizadas na idade considerada adequada, conforme o indicador Criança Alfabetizada, desenvolvido pelo governo federal. Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), observa que este indicador depende de informações coletadas pelos estados, levando a variações na definição de “alfabetização plena”. Ele ressalta que cada estado e município tem seus próprios critérios, o que gera disparidades nos resultados. Por exemplo, a rede municipal de São Paulo adota critérios rigorosos, mas, quando comparada ao critério nacional, apresenta um desempenho insatisfatório.

Cara defende a necessidade de um conceito nacional unificado de alfabetização, articulado pelo Inep, que estabeleça padrões claros. Uma criança considerada plenamente alfabetizada deveria dominar as quatro operações matemáticas, além de ser capaz de ler, escrever e interpretar textos de maneira básica. No entanto, a idade em que essas habilidades devem ser adquiridas varia significativamente: alguns lugares defendem que isso ocorra aos 6 anos, enquanto outros estipulam aos 7 ou 8. Essa variedade de critérios reflete a realidade do desenvolvimento infantil, onde crianças podem se alfabetizar em ritmos diferentes.

O professor também critica a pressão política e social que existe para promover a alfabetização precoce, alertando que essa abordagem pode não ser benéfica a longo prazo. Ele sugere que o Brasil poderia se inspirar em práticas de países escandinavos, que priorizam um desenvolvimento educacional mais cauteloso.

Em relação ao acesso à água nas escolas, houve uma redução significativa do número de instituições sem água potável, de 2.512 em 2024 para 1.203 em 2025. Apesar desse avanço, ainda existem 75 mil estudantes em escolas sem acesso a esse recurso essencial, um problema que afeta especialmente regiões vulneráveis. Cara destaca a importância do acesso à água não apenas para a saúde dos alunos, mas também como um recurso vital para as comunidades ao redor das escolas.

Daniel Cara também menciona sua contribuição para a Lei 15.360, que estabelece condições mínimas para escolas públicas, incluindo infraestrutura adequada. Ele critica a narrativa de que a falta de recursos é o principal problema da educação, enfatizando que muitos estudantes ainda não têm acesso a condições de aprendizado que são comuns em escolas privadas.

No que se refere ao Prouni e às políticas de cotas, Cara considera que essas iniciativas têm promovido uma “revolução silenciosa” na estrutura social e econômica do Brasil. Ele observa que essas políticas têm contribuído para a inclusão de estudantes de baixa renda no ensino superior, reduzindo a evasão escolar e aumentando as oportunidades de emprego e dignidade para esses alunos.

Por fim, Cara denuncia um desmonte da educação no campo, pressionado pelo agronegócio, que tem resultado no fechamento de escolas e na deterioração das condições educacionais. Ele destaca que a luta pela educação no campo é fundamental para garantir a equidade e o direito à educação para todos os brasileiros, especialmente aqueles em áreas rurais e vulneráveis.

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