Eleições no Peru: 35 candidatos, mas sem favoritos claros

O Congresista Roberto Sánchez é considerado herdeiro de Pedro

Neste domingo (12), o Peru dá início ao processo eleitoral para escolher seu novo presidente em um ambiente de incerteza e apatia social, resultado de anos de instabilidade política e escândalos de corrupção. Desde 2018, o país passou por um ciclo turbulento, com oito presidentes diferentes, sendo quatro destituídos pelo Congresso e outros dois forçados a renunciar. Tal cenário gerou uma profunda desconfiança nas instituições e um sentimento de desencanto entre os cidadãos.

A fragmentação política é evidente, com 35 candidatos disputando a presidência, mas sem um favorito claro. Segundo Santos Saavedra Vásquez, presidente do partido Unidade Popular, o modelo neoliberal falhou em atender às necessidades da população, resultando em uma situação caótica onde o executivo, legislativo e judiciário estão infiltrados por grupos corruptos. Ele menciona que a ascensão de Pedro Castillo ao poder em 2021, que desagradou as elites, culminou em tentativas de impeachment e golpe de Estado, levando à sua prisão.

A juventude, que representa 26% do eleitorado, tem potencial para decidir a eleição, mas 16% dos jovens estão indecisos e 11% planejam votar em branco ou anular. A falta de opções atraentes contribui para essa incerteza. O voto é obrigatório no Peru, onde cerca de 34 milhões de pessoas devem comparecer às urnas. O fujimorismo, representado por Keiko Fujimori, busca retornar ao poder, enquanto a disputa para o segundo turno se intensifica entre candidatos como Ricardo Belmont, Carlos Álvarez e Rafael López Aliaga, cada um com diferentes plataformas políticas.

As pesquisas de intenção de voto no Peru são questionadas por muitos, incluindo Vásquez, que as considera manipuladas em favor da classe dominante. Ele relembra que Castillo não era considerado um candidato viável nas pesquisas antes de sua vitória em 2021. Apesar do desencanto com a cúpula política, a “Geração Z” peruana demonstrou seu ativismo, especialmente durante os protestos de 2024 que levaram à saída da ex-presidente Dina Boluarte.

Neste momento, a preocupação da juventude se voltou para a crescente violência urbana, que se tornou uma das principais inquietações dos eleitores. Vásquez alerta que forças com tendências fascistas ainda estão ativas, representadas por candidatos como a filha do ex-ditador Fujimori e outros que buscam implantar um governo semelhante ao de Javier Milei na Argentina. Ele ressalta que, apesar da crise, o momento é de disputa e mobilização popular.

O candidato Roberto Sánchez Palomino, da legenda Juntos pelo Peru, é visto como um sucessor político de Castillo e foca sua plataforma em reformas judiciais e na revisão de contratos de exploração de recursos naturais. Outros candidatos de destaque incluem Alfonso López Chau e Ronald Atencio, que representam diferentes frentes progressistas. Com a eleição marcada para julho, a expectativa é de que novos líderes surjam, representando os interesses do campo popular e buscando restaurar a confiança da população nas instituições peruanas.

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