Embaixador Cubano Denuncia Medidas de Trump como Genocídio em Setor Petrolífero

Embaixador Cubano Denuncia Medidas de Trump como Genocídio em Setor Petrolífero

Embaixador cubano no Brasil denuncia bloqueio dos EUA como "genocídio" e suas consequências devastadoras

O embaixador de Cuba no Brasil, Adolfo Curbelo Castellanos, caracteriza o bloqueio econômico e energético imposto pelos Estados Unidos como uma "política genocida", que visa privar a população cubana de seus meios de subsistência. A declaração foi feita durante uma entrevista na embaixada cubana em Brasília, onde Curbelo abordou o agravamento do embargo, que já dura 66 anos desde a Revolução Cubana de 1959.

Curbelo destacou o impacto severo da falta de energia na vida cotidiana dos cubanos. "Sem energia, todos os setores ficam comprometidos. O que os EUA fizeram foi condenar o povo cubano ao extermínio", afirmou. Ele também ressaltou que a soberania de outros países está sendo violada, não apenas a de Cuba.

Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu uma nova Ordem Executiva, rotulando Cuba como uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança americana, em parte devido ao alinhamento da ilha com potências como Rússia, China e Irã. Essa decisão inclui tarifas comerciais sobre produtos de qualquer nação que forneça petróleo a Cuba, o que tem exacerbado a crise energética no país, que dependia de derivados de petróleo para cerca de 80% de sua energia até 2023.

Durante a entrevista, Curbelo enfatizou que a atual situação enfrenta Cuba em uma "guerra não convencional", justificando as dificuldades econômicas e sociais que a população enfrenta. Ele descreveu as novas medidas como "devastadoras", destacando que o país tem buscado alternativas, como a energia solar, para mitigar os efeitos do bloqueio.

Eficiência energética e solidariedade internacional

Cuba tem adotado medidas de austeridade para priorizar os setores mais críticos, como saúde e educação, enquanto trabalha para aumentar a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis. O embaixador informou que, no último ano, o país instalou painéis solares capazes de gerar 1.000 megawatts, o que agora representa quase 40% da eletricidade diurna gerada na ilha.

No entanto, a falta de combustível ainda impede o pleno funcionamento do sistema. "A infraestrutura de geração de energia é predominantemente termelétrica e muitas usinas usam tecnologia obsoleta", explicou Curbelo.

O impacto do bloqueio se estende também ao turismo, uma das principais fontes de receita do país. A falta de combustível tem levado companhias aéreas a suspender voos para Cuba, dificultando a entrada de turistas e a circulação de divisas.

Reação internacional e solidariedade

Curbelo observou que a comunidade internacional tem se mobilizado contra as políticas dos EUA. Organizações como o Movimento Não Alinhado e países como Rússia e China têm manifestado apoio a Cuba, com doações e declarações de solidariedade. Recentemente, o México enviou ajuda humanitária significativa para a ilha.

A luta pela soberania cubana

O embaixador concluiu enfatizando que Cuba está determinada a defender sua soberania, sem abrir mão de um diálogo respeitoso com os EUA. "A independência e a soberania de Cuba são inegociáveis", declarou, afirmando que o país não aceitará interferências em seus assuntos internos.

Curbelo reforçou que a luta de Cuba não é apenas uma questão interna, mas um reflexo da resistência de toda a América Latina contra políticas hegemônicas. "O ataque a Cuba é um ataque a todos nós. Resistiremos e venceremos", finalizou.

Fonte: Link original

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