O caso envolvendo Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, e a tentativa de aquisição do banco pelo BRB (Banco de Brasília) é um enredo complexo de fraudes e espionagem. Desde julho de 2022, espiões contratados por Vorcaro estavam cientes de que o Ministério Público Federal (MPF) estava perto de desvendar as fraudes relacionadas à aquisição do Master. Nesse período, hackers acessaram documentos confidenciais do procurador Gabriel Pimenta, responsável pela investigação, que foram parar nas mãos de Vorcaro.
Em novembro de 2022, Vorcaro soube que um juiz havia autorizado sua prisão em decorrência da Operação Compliance Zero, que investigava a venda de carteiras de crédito no valor de R$ 12,1 bilhões para o BRB. Em uma tentativa de se proteger, ele planejou fugir para Malta enquanto sua defesa apresentava uma petição ao juiz para revogar medidas cautelares que poderiam levar à sua prisão. Nesse mesmo dia, a Fictor Holding Financeira anunciou uma proposta de compra do Master, que os investigadores consideravam um artifício para facilitar sua fuga.
Enquanto Vorcaro tentava negociar com o Banco Central (BC) sobre uma solução para evitar a liquidação do banco, a Polícia Federal (PF) monitorava suas movimentações. Ele se reuniu virtualmente com diretores do BC, onde discutiu possíveis investidores e uma viagem a Dubai para avançar nas tratativas. O BC, ciente do risco de fuga após o pedido de antecipação de uma reunião marcada para uma data posterior, intensificou a vigilância sobre Vorcaro, que havia elaborado pelo menos três planos de voo.
A defesa de Vorcaro alegou que ele se dirigia a Dubai para negociações legítimas, mas a PF interpretou o planejamento de várias rotas de fuga como um indicativo de suas intenções. Informantes, como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, também estavam envolvidos no esquema de espionagem e monitoramento, mas Mourão morreu em circunstâncias trágicas após ser preso.
A estratégia de Vorcaro fracassou. Ele foi preso pela PF no aeroporto de Guarulhos na noite de 17 de novembro, enquanto o BC aprovava a liquidação do Master devido à sua crise de liquidez insustentável. O banco apresentava um déficit de liquidez superior a 2.400%, demonstrando a gravidade da situação financeira. A liquidação foi justificada pelo BC como uma medida necessária para reduzir custos à sociedade e ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
As fraudes no Master envolviam uma vasta rede de 216 fundos e 143 empresas, com um patrimônio líquido expressivo. A investigação apurou que ativos de difícil avaliação, como papéis podres e créditos de carbono, eram utilizados em operações fraudulentas. A complexidade do esquema era tal que os investigadores utilizavam softwares para mapear as conexões entre os fundos e as empresas.
A situação culminou em um ambiente de pressão intensa sobre o BC, incluindo protestos públicos contra diretores que se opunham à operação envolvendo o BRB e a liquidação do Master. O caso ilustra não apenas as fraudes financeiras, mas também um intricado enredo de espionagem e corrupção que afetou diversas esferas do sistema financeiro brasileiro.
Fonte: Link original


































