O artigo discute a natureza do terrorismo e como a linguagem desempenha um papel crucial na definição de atos violentos como terroristas. Utilizando como exemplo a colisão de um avião comercial nas Torres Gêmeas em Nova York, o autor analisa como é a reivindicação de um ato violento que o transforma em um ato terrorista. Para isso, é necessário que o agressor ou seu grupo faça um “ato ilocutório”, ou seja, um pronunciamento que vincule o ato a uma causa ou ideologia específica.
O texto também traça um paralelo com um caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro, onde um dos acusados usava uma camiseta com a frase “Não me arrependo de nada”. Essa mensagem, segundo o autor, ultrapassa o ato individual do crime e se insere em uma lógica de violência com pretensões políticas, ecoando discursos misóginos que se intensificam nas chamadas “machosferas”. O autor destaca que a linguagem utilizada pelos agressores é um reflexo de uma ideologia que subestima e desumaniza as mulheres, reafirmando uma visão de mundo que justifica a violência contra elas.
O autor recorre à análise do discurso para explicar como as ideologias se manifestam por meio de textos e enunciados, onde as mensagens estão em constante diálogo e disputa. O exemplo do enunciado machista “As mulheres hoje em dia estão pensando que podem tudo” é analisado como uma resposta a discursos que promovem a igualdade de gênero. Assim, a frase estampada na camiseta do acusado não é apenas um desdém pelo crime cometido, mas uma afirmação de sua adesão a uma visão de mundo que deslegitima os direitos das mulheres.
Além disso, o autor menciona a influência de figuras como Andrew Tate, um conhecido “influenciador” que promove a superioridade masculina e a subjugação das mulheres. O comportamento e as escolhas do acusado no caso de estupro coletivo refletem uma identificação com essa ideologia, evidenciando como a linguagem e a performance pública podem ser usadas para reforçar e legitimar a violência de gênero.
O artigo conclui que o ato de violência não deve ser visto isoladamente, mas sim como parte de uma luta mais ampla contra discursos que perpetuam a misoginia e a desigualdade. A linguagem, portanto, é uma ferramenta poderosa que pode tanto perpetuar a violência quanto ser utilizada na luta por justiça e igualdade. O autor argumenta que, assim como o terrorismo que atinge estruturas sociais e civis, o estupro deve ser entendido em um contexto mais amplo de ataque à civilização e à dignidade humana, exigindo uma resposta coletiva e internacional para erradicar discursos que fomentam a violência de gênero.
O texto destaca a urgência de combater essa retórica masculinista que não conhece fronteiras, enfatizando que o enfrentamento do terrorismo, seja ele físico ou simbólico, é uma questão que requer ação decisiva e comprometida.
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