Em março de 1996, o Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) lançou a primeira edição do Extra Classe, um projeto inovador no contexto sindical brasileiro, que buscava produzir jornalismo profissional e de qualidade. O objetivo era estabelecer um diálogo não apenas com a categoria de professores, mas com a sociedade em geral. Após três décadas de existência, o Extra Classe se consolidou como uma das experiências mais duradouras da imprensa ligada a entidades de trabalhadores no Brasil, registrando quase 60 prêmios de Jornalismo e acompanhando as transformações na educação e no mundo do trabalho.
A editora-chefe Valéria Ochôa considera a longevidade do jornal um marco institucional, ressaltando a qualidade técnica e a credibilidade conquistada junto aos professores e à sociedade. Ao longo dos anos, o Extra Classe publicou inúmeras reportagens e entrevistas abordando temas sociais e do mundo do trabalho, muitos dos quais se tornaram usados em sala de aula. A continuidade do projeto, segundo Valéria, deve-se à visão do Sinpro/RS sobre a importância da comunicação e do jornalismo para a democracia, à profissionalização da equipe e ao compromisso com a ética no jornalismo.
A criação do Extra Classe foi parte de uma transformação estratégica do Sinpro/RS nos anos 1980, que buscava ampliar a atuação do sindicato além das reivindicações corporativas, adotando uma postura mais cidadã. Marcos Fuhr, diretor de Comunicação do sindicato, explica que essa mudança foi impulsionada pela necessidade de enfrentar a nova realidade do sindicalismo brasileiro, que, após a estabilização econômica dos anos 1990, precisou repensar suas abordagens. O sindicato decidiu que a defesa do professor deveria incluir sua atuação como cidadão na esfera cultural, política e social.
Antes do Extra Classe, o Sinpro/RS publicava um jornal informativo voltado exclusivamente para a categoria. A mudança começou em 1991 com a chegada de Marcelo Menna Barreto, que introduziu uma nova abordagem ao jornalismo sindical, incluindo reportagens externas e investigações. Um marco significativo foi uma série de reportagens sobre a Fundação Padre Landell de Moura, que expôs irregularidades em cursos financiados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador. A repercussão da investigação resultou em processos contra os jornalistas, mas a defesa do sindicato consolidou o valor do jornalismo investigativo como uma ferramenta poderosa de transformação social.
Lançado oficialmente em 1996, o Extra Classe se destacou por abordar diversos temas relevantes, como financiamento da educação, políticas públicas e direitos humanos, ampliando seu escopo editorial. Com uma reputação crescente, o jornal se tornou uma referência, atraindo a atenção de grandes veículos de comunicação.
Em 2014, o Extra Classe lançou sua versão online, ampliando seu alcance e permitindo uma atualização contínua do conteúdo. Essa transição para o digital foi crucial, especialmente em tempos de desinformação, pois possibilitou que o jornal se tornasse uma fonte confiável de informação. Nos últimos anos, o jornal ajustou sua logística, mantendo a edição impressa bimestral e reforçando sua presença digital.
Com a celebração dos 30 anos, o Extra Classe continua a desempenhar um papel fundamental na ação sindical do Sinpro/RS, mantendo-se como uma referência informativa e socialmente relevante. Valéria Ochôa reafirma o compromisso do jornal com a qualidade, a ética e a promoção do conhecimento, desejando vida longa ao Extra Classe.
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