Alerta em Minas Gerais: Comunidades Sofrem com Alarmes Falsos de Barragem da Anglo American
A região central de Minas Gerais, que abrange Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, voltou a ser palco de um episódio alarmante envolvendo a barragem de rejeitos da mineradora Anglo American. Na última quarta-feira (11), a sirene de emergência soou sem qualquer justificativa, gerando pânico e angústia entre os moradores. Este foi o terceiro incidente do tipo desde 2020, e as consequências são devastadoras para a saúde mental da população local.
Relatos de mal-estar e necessidade de atendimento médico surgiram imediatamente. “Recebemos informações de mulheres grávidas que foram forçadas a deixar suas casas às pressas e crianças que permaneciam na escola sem comida por mais de duas horas, aguardando informações da empresa ou da Defesa Civil”, afirmou Juliana Deprá Stelzer, integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).
Classificado como “não programado” pela Anglo American, o acionamento da sirene intensifica a insegurança nas comunidades que vivem sob a sombra da barragem, uma estrutura que é sete vezes maior que a de Fundão, que se rompeu em Mariana em 2015. “Como confiar em um sistema que dispara sem razão?”, questiona Juliana, ressaltando a angústia coletiva diante de um possível rompimento real.
O termo “terrorismo de barragem”, utilizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), descreve a estratégia de empresas que mantêm comunidades em constante estado de alerta, favorecendo interesses econômicos em detrimento da segurança e bem-estar dos moradores. “Essa situação é manipulada pela Anglo American em meio a negociações de reassentamento coletivo, prejudicando o que realmente importa para as famílias”, denuncia Juliana.
A situação se agrava com a intenção da mineradora de obter licenciamento para aumentar a barragem, o que colocaria mais comunidades em risco. A ativista destaca que a resistência dos moradores e movimentos sociais é forte, especialmente após o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) ter emitido parecer contrário ao alteamento, citando violações à Lei Mariana e à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“O apoio das comunidades quilombolas não está sendo considerado, e várias leis internacionais estão sendo desrespeitadas. Estamos lutando para que nossas vozes sejam ouvidas”, enfatiza Juliana. O MAM e as comunidades afetadas têm acionado a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o Ministério Público e o TCE para impedir os avanços da mineradora.
O silêncio da mídia local sobre esses eventos é preocupante. “A cobertura da mídia hegemônica é escassa, e as mineradoras criam barreiras para que essas denúncias não se tornem públicas. É crucial que este assunto ganhe visibilidade”, alerta Juliana.
Entre os números e as disputas legais, há um custo humano que não é contabilizado pelas mineradoras. O aumento do sofrimento psicológico é alarmante, com mais pessoas buscando ajuda para lidar com a ansiedade e o medo. “Os casos de insônia e sofrimento emocional têm crescido de forma exponencial”, observa Juliana.
O MAM enfatiza a urgência de uma reforma nas políticas de mineração no Brasil. “Não podemos permitir que empresas brinquem com a vida das pessoas. A Anglo American, assim como outras mineradoras, deve ser responsabilizada por suas ações. É hora de acabar com o terrorismo das barragens e com todas as violações em Minas Gerais e no país”, conclui.
Enquanto isso, as comunidades de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas continuam enfrentando a incerteza e o medo, vivendo sob a sombra de uma barragem que, mesmo sem romper, já causa estragos irreparáveis.
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