Argentina Enfrenta Quarta Greve Geral contra Reforma Trabalhista de Javier Milei
Nesta quinta-feira (19), a Argentina deu início à quarta greve geral desde a posse do presidente Javier Milei, em 2023. A mobilização, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), visa protestar contra a reforma trabalhista proposta pelo governo ultraliberal, que, segundo as centrais sindicais, compromete os direitos e as condições de trabalho dos argentinos.
Os protestos ocorrem em um dia crítico, enquanto a Câmara dos Deputados se prepara para votar a polêmica proposta de reforma, já aprovada pelo Senado na semana passada. Entre as mudanças propostas estão a redução de indenizações, a possibilidade de pagamentos em bens ou serviços, a extensão da jornada de trabalho para até 12 horas e limitações ao direito de greve.
A greve começou à 00h01 e está programada para durar 24 horas. A adesão é significativa, com trens, metrôs, ônibus e voos paralisados na manhã desta quinta-feira. Além disso, 255 voos foram cancelados, afetando cerca de 31 mil passageiros, conforme informado pela Aerolíneas Argentinas. Os trabalhadores portuários, essenciais para a exportação agrícola, também se uniram ao movimento, paralisando terminais importantes como o de Rosário.
Cristian Jerônimo, secretário-geral da CGT, enfatizou a insatisfação popular: “Queremos deixar claro ao governo que o povo não deu seu voto para perder direitos”. A greve e os protestos prometem ser intensos, apesar de a CGT ter anunciado que a mobilização não contará com ações violentas.
Por outro lado, o governo Milei emitiu um comunicado alertando sobre os riscos envolvidos na cobertura da greve, criando uma “zona exclusiva” para a imprensa em áreas próximas aos protestos. O Ministério da Segurança destacou que as forças de segurança estarão atentas a possíveis atos de violência, recomendando cautela aos jornalistas.
Na semana passada, quando o projeto de reforma foi discutido no Senado, manifestações massivas culminaram em confrontos com a polícia, resultando em cerca de trinta detenções. A situação econômica da Argentina é preocupante, com mais de 21 mil empresas fechadas nos últimos dois anos e a perda de aproximadamente 300 mil empregos, segundo dados de fontes sindicais.
A greve de hoje é um reflexo da crescente insatisfação da população com as políticas do governo e a luta por melhores condições de trabalho em um cenário econômico desafiador.
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