Marcha Indígena em Brasília Reitera Demandas por Demarcação de Terras e Direitos Sociais
Na tarde desta quinta-feira (9), uma significativa marcha de indígenas de várias etnias percorreu o Eixo Monumental em Brasília, culminando em frente ao Congresso Nacional. O evento, organizado pelo Acampamento Terra Livre (ATL), trouxe à tona o lema "Demarca, Lula! Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida". Desde o último domingo (5), o ATL reúne comunidades indígenas de todo o Brasil para reforçar suas reivindicações históricas, que incluem a demarcação de terras, proteção ambiental e garantia de direitos sociais.
Durante a mobilização, a Articulação de Povos Indígenas (Apib) apresentou uma carta com suas demandas ao Poder Executivo, endereçada ao Ministério de Minas e Energia e à Secretaria-Geral da Presidência da República. Os organizadores destacam que a política indigenista do Brasil enfrenta desafios desde a chegada dos colonizadores, e o ato serve para reafirmar a resistência e o protagonismo dos povos originários.
A demarcação de Terras Indígenas (TIs) foi o foco central da marcha, sendo vista pelos participantes como essencial para a preservação cultural, ambiental e social. Lilian Eloy, representante do povo Terena e coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (Arpin), enfatizou a importância da garantia territorial para a sobrevivência de suas comunidades. Apesar de reconhecimentos pontuais durante o atual governo, muitos territórios ainda carecem de demarcação. “Pedimos ao presidente Lula que olhe com mais atenção para as nossas reivindicações”, declarou.
Eladio Tupayu, do Território Encantado no Baixo Tapajós, compartilhou sua luta por reconhecimento territorial, que foi ameaçado por um decreto recente que visa privatizar os rios da Amazônia. Ele expressou a esperança de que o presidente ouça as necessidades de seu povo, destacando os desafios enfrentados para acessar o ATL e se comunicar com as autoridades.
Cacique José Maria, da Aldeia São Marcos, do povo Xavante, alertou sobre a vulnerabilidade das terras indígenas diante de grandes projetos de exploração, como usinas hidrelétricas e ferrovias, que ameaçam a biodiversidade do Cerrado. Ele reafirmou o compromisso de seu povo em defender o território, ressaltando que a resistência indígena é uma luta por dignidade e reconhecimento.
Além das pautas territoriais, a marcha também abordou questões ambientais e climáticas. Lideranças indígenas propuseram a criação de "Zonas Livres de Combustíveis Fósseis", áreas onde a exploração de recursos como petróleo e gás seria proibida, buscando integrar a proteção territorial com políticas de transição energética.
Os participantes enfatizaram que a luta pela demarcação de terras está intrinsecamente ligada à proteção da cultura e dos direitos tradicionais dos povos indígenas. Eladio Tupayu criticou a falta de diálogo efetivo com o governo, ressaltando que a mobilização é uma tentativa de reivindicar a atenção que seu povo merece.
A carta da Apib ao governo federal reafirma o compromisso do movimento indígena em influenciar as políticas públicas, destacando que a atual administração deve traduzir suas promessas em ações concretas para a proteção dos territórios indígenas. Embora reconheça alguns avanços, o documento aponta que as necessidades e urgências históricas dos povos indígenas ainda não foram atendidas.
Por fim, o texto cobra uma atuação mais firme do Estado para enfrentar conflitos e violações nos territórios indígenas, ressaltando que a demarcação de terras deve ser uma prioridade nas políticas climáticas e ambientais do Brasil.
Fonte: Link original

































