Embaixador do Irã no Brasil Critica EUA e Defende Resposta Iranianna em Coletiva em Brasília
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, fez declarações contundentes sobre a postura dos Estados Unidos durante uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (2) em Brasília. Ao afirmar que o ex-presidente Donald Trump “acha que é o rei do mundo”, Nekounam criticou as ações de Washington, acusando-o de derrubar governos ao invés de buscar acordos diplomáticos.
A coletiva foi convocada após o Itamaraty divulgar duas notas oficiais que condenam a escalada militar no Oriente Médio, expressando preocupação com a violação da soberania dos países da região. O governo brasileiro enfatizou a importância da proteção de civis e do respeito ao direito internacional, além de alertar sobre os riscos de um conflito ampliado e suas repercussões globais.
Reação do Irã e Defesa dos Direitos Humanos
Na abertura de sua fala, Nekounam qualificou a resposta do Irã como uma reação inevitável. “Esperamos que aqueles que iniciaram essa guerra cruel compreendam que a matança e os assassinatos não alcançarão seus objetivos”, declarou, referindo-se aos ataques que resultaram na morte de civis, incluindo crianças. O embaixador reafirmou que o Irã está comprometido em defender os direitos de suas cidadãs e não hesitará em se proteger. “Estamos no nosso direito de nos defender e, para isso, não vamos deixar de agir de forma firme”, destacou.
Críticas à Mídia Internacional
Nekounam também aproveitou para criticar a cobertura da mídia internacional, alegando que as informações veiculadas são distorcidas e manipuladas. “As notícias das principais agências não são precisas e visam influenciar a opinião pública de acordo com interesses específicos”, afirmou, ressaltando que a guerra se estende também ao campo da informação. Ele mencionou que eventos de protesto no Irã foram explorados de maneira inadequada pela mídia.
Posicionamento sobre Ataques e Relações com Países Vizinhos
Quando questionado sobre possíveis ataques em territórios de nações vizinhas, o embaixador garantiu que as ações do Irã são direcionadas apenas a bases militares dos EUA e centros sionistas. “Não consideramos que estamos atacando outros países. Nossa resposta é automática caso uma base militar seja usada para nos atacar”, explicou, enfatizando que as relações com “países irmãos e amigos” permanecem inalteradas.
Alertas sobre o Estreito de Ormuz
Sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio global de petróleo, Nekounam fez um alerta. “Quando uma guerra ocorre, muitas questões entram em jogo”, afirmou, lembrando que o líder supremo do Irã já havia advertido sobre as consequências de novos ataques. Ele enfatizou que um ataque ao Irã poderia resultar em uma guerra regional.
Programa Nuclear e Relações com os EUA
No tocante ao programa nuclear iraniano, o embaixador reafirmou que suas intenções são pacíficas e que o programa está sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica. Ele também criticou os EUA por terem rompido o acordo nuclear de 2015 e por não demonstrarem interesse em negociações, buscando, segundo ele, uma mudança de governo no Irã.
Brasil como Interlocutor Diplomático
Por fim, Nekounam elogiou a postura do governo brasileiro, considerando que as notas do Itamaraty valorizam a dignidade humana, a integridade territorial e a soberania dos governos. Ele destacou que a relação com o Brasil é institucional e se diferencia das negociações com os EUA, reforçando a importância do diálogo diplomático.
Essa coletiva deixa claro o aumento das tensões no cenário internacional e o papel do Brasil como um potencial mediador em questões delicadas que envolvem o Oriente Médio e os Estados Unidos.
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