Na tarde de quinta-feira, 26 de outubro, o deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em uma sessão extraordinária. No entanto, a celebração foi breve, pois, na mesma noite, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) emitiu uma decisão liminar que anulou a sessão e suspendeu todos os atos realizados durante a votação. Essa decisão foi tomada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, em resposta a um pedido do PDT, que alegou que a escolha de um novo presidente não poderia ocorrer antes da retotalização dos votos de 2022, determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).
A retotalização, marcada para o dia 31 de outubro, foi uma consequência da cassação do mandato do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A desembargadora destacou que a realização da votação para a presidência da Alerj sem a retotalização interfere não apenas na escolha do novo presidente, mas também na definição de quem assumirá o governo do estado. A decisão judicial enfatizou que a cassação de Bacellar não se limita à vacância do cargo, pois anula os 97 mil votos que ele recebeu, o que implica em uma nova contagem do quociente eleitoral, essencial para redistribuir as cadeiras entre os partidos.
A sessão que elegeu Douglas Ruas gerou controvérsia e críticas da oposição, que se manifestou contra a convocação sem aviso prévio, optando por não participar da votação. Um total de 47 dos 70 deputados compareceu, e a eleição de Ruas foi oficializada com 45 votos a favor, publicada em um Diário Oficial Extra da Alerj. Essa movimentação ocorreu em um contexto de instabilidade política, já que um dia antes, o TSE havia decidido que a escolha do novo governador do Rio de Janeiro seria realizada por meio de eleição indireta.
A crise política no estado do Rio de Janeiro se intensificou desde a saída do vice-governador Thiago Pampolha em maio de 2025 e a subsequente prisão de Rodrigo Bacellar em dezembro do mesmo ano, devido à Operação Unha e Carne, que investigou ligações de políticos com o tráfico. Bacellar foi afastado da presidência da Alerj por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), e desde então, Guilherme Delaroli preside a Casa de forma interina, sem ocupar a linha sucessória do governo estadual.
A situação se complicou ainda mais com a recente renúncia do governador Cláudio Castro, que se afastou do cargo ao buscar uma candidatura ao Senado. A decisão do TSE, que cassou Castro e Bacellar, deixou o estado sob a presidência interina do Tribunal de Justiça, criando um cenário de incerteza. A eleição para a presidência da Alerj, portanto, não é apenas uma questão interna, mas uma peça chave no complexo quebra-cabeça da sucessão governamental, que ainda aguarda a retotalização dos votos e a definição do novo governador.
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