Justiça argentina rejeita principais trechos da reforma de Milei

Justiça argentina rejeita principais trechos da reforma de Milei

Justiça Argentina Suspende Nova Lei Trabalhista em Derrota para Javier Milei

Em uma importante reviravolta, a Justiça da Argentina decidiu suspender temporariamente mais de 80 artigos da nova legislação trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A decisão, que ocorreu nesta segunda-feira, 30, é um golpe para a administração do presidente, que buscava implementar reformas para reduzir custos de trabalho e restringir o poder dos sindicatos.

O juiz trabalhista Raúl Horacio Ojeda acatou parcialmente uma medida cautelar apresentada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a principal entidade sindical do país. Em sua decisão, Ojeda destacou que “há direitos humanos em jogo, com possíveis responsabilidades patrimoniais e institucionais”. Ele enfatizou que milhões de contratos de trabalho estão aguardando definições sobre a aplicação da nova lei, o que gera uma necessidade urgente de segurança jurídica.

A medida cautelar permitirá que a nova norma só entre em vigor após a realização de um teste de constitucionalidade e convencionalidade, conforme solicitado pela CGT. Essa decisão permanecerá válida até o julgamento do mérito do caso e pode ser contestada pelo governo.

Para Javier Milei, a reforma é crucial para atrair investimentos estrangeiros, aumentar a produtividade e gerar empregos em um contexto onde cerca de 40% da força de trabalho atua na informalidade. No entanto, os sindicatos, que já barraram tentativas anteriores de reforma, argumentam que as mudanças são inconstitucionais, pois afetam direitos adquiridos.

O juiz Ojeda suspendeu diversas medidas, incluindo uma nova base de cálculo para indenizações que excluía pagamentos como décimo terceiro, férias e horas extras. Além disso, a decisão abrangeu o Fundo de Assistência Trabalhista, que exigia dos empregadores uma contribuição de 1% a 3% sobre os salários para financiar futuras demissões. Também foram suspensos artigos que visavam limitar o poder dos sindicatos, como aqueles que ampliavam a classificação de atividades essenciais e endureciam sanções contra a atuação sindical.

Até o momento, o governo argentino não se manifestou sobre a decisão do juiz Ojeda, que pode ter implicações significativas para o futuro da reforma trabalhista no país.

Fonte: Link original

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