ONU Clama por Justiça no Julgamento dos Assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes
Em um apelo contundente, especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) solicitaram que a “justiça plena prevaleça” no julgamento dos réus envolvidos nos assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e de seu motorista, Anderson Gomes. O veredicto está marcado para esta terça-feira, 24 de outubro, no Supremo Tribunal Federal (STF).
O comunicado, divulgado na segunda-feira (23), em Genebra, enfatiza a importância da equidade e da transparência durante o processo judicial. Marielle e Anderson foram brutalmente assassinados em 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, uma área central do Rio de Janeiro.
Dezesseis especialistas independentes, incluindo relatores especiais e grupos de trabalho da ONU, pediram justiça e reparação para todas as vítimas do racismo sistêmico, da discriminação estrutural e da violência no Brasil. Segundo eles, o julgamento representa não apenas a luta por justiça para Marielle e Anderson, mas também um marco significativo na batalha contra a impunidade relacionada ao racismo, discriminação interseccional e violência contra defensores dos direitos humanos, especialmente mulheres, afrodescendentes e pessoas LGBTIQ+.
“Marielle Franco foi uma defensora dos direitos humanos que se opôs ao racismo sistêmico, à discriminação estrutural e à brutalidade policial no Brasil”, ressaltaram os especialistas. Eles também destacaram que a vereadora enfrentou discriminação interseccional, refletindo a intersecção de racismo, classismo, misoginia e preconceito por orientação sexual.
A ONU observou que, embora os assassinatos tenham causado indignação no Brasil e no exterior, o caminho para a justiça tem sido longo e difícil para as famílias das vítimas. Além disso, os especialistas mencionaram as constantes mudanças na liderança das investigações e o vazamento de informações para a mídia. “O fato de que levaram oito anos para chegar a esta fase final do processo judicial é, por si só, chocante”, afirmaram.
Embora em 2024 os especialistas tenham comemorado as condenações de alguns dos envolvidos nos assassinatos, enfatizaram que isso não representa o fim da luta por justiça para Marielle e Anderson.
O julgamento ocorrerá na Primeira Turma do STF, com sessões programadas para a manhã e tarde de terça-feira, além da manhã de quarta-feira, 25 de outubro. O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes. A sociedade aguarda ansiosamente o desfecho deste importante capítulo na busca por justiça e equidade no Brasil.
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