O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a responsabilidade pelo surgimento de supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e figuras de alto escalão dos Três Poderes. Desde que as investigações começaram no final do ano passado, a Polícia Federal revelou que parlamentares de diversos espectros políticos, incluindo aliados e adversários de Lula, bem como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, estão implicados no caso.
Lula questionou a falta de menção na imprensa ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que, segundo ele, permitiu o crescimento do Banco Master durante sua gestão, facilitando assim as fraudes. O presidente destacou que as irregularidades têm raízes na administração de Bolsonaro, citando também o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Em uma entrevista ao site ICL Notícias, Lula criticou a maneira como as apurações estão sendo conduzidas e insinuou que há uma tentativa de ocultar informações cruciais.
Desde o início de seu terceiro mandato, Lula tem sido um crítico contundente de Campos Neto, acusando-o de manter juros altos por razões políticas. Embora seu sucessor, Gabriel Galípolo, tenha mantido a taxa Selic elevada para combater a inflação, Lula suavizou suas críticas, mas continuou a indicar que a política monetária estava sendo influenciada por interesses políticos.
O presidente também fez referência a sua própria experiência com a Operação Lava Jato, onde seu processo judicial foi tratado com rapidez, em contraste com as investigações atuais, que parecem não avançar na mesma velocidade. Ele mencionou que sua prisão de 580 dias foi resultado de um esforço para impedir sua candidatura nas eleições.
Sobre o ministro Alexandre de Moraes, Lula aconselhou-o a se declarar impedido de participar de julgamentos relacionados ao Banco Master, devido à contratação do escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, que recebeu uma quantia significativa do banqueiro Daniel Vorcaro. Lula expressou preocupação de que essa situação pudesse prejudicar a imagem de Moraes, sugerindo que a percepção pública é importante, especialmente em um ano eleitoral. Ele pediu que Moraes tornasse sua situação pública, evitando assim qualquer suspeita de conflito de interesse.
Em relação à atuação da Polícia Federal, Lula enfatizou que sob sua administração, a instituição goza de total autonomia. Ele destacou que já foram realizadas quase o dobro de operações em comparação com o governo Bolsonaro, e reforçou que a independência da PF é uma prioridade, orientando os delegados a não acusarem sem provas, para não prejudicarem a reputação de indivíduos inocentes.
Por fim, Lula defendeu que todos os envolvidos nas fraudes devem prestar depoimentos e que qualquer delação premiada deve ser baseada em evidências concretas. Ele reforçou que a punição deve ser exemplar, independentemente de quem esteja envolvido nas irregularidades, reafirmando seu compromisso com a justiça e a transparência nas investigações.
Fonte: Link original































