Joice Melo: A Maternidade e a Transformação Através da Escrita
Joice Melo, uma paulistana que enfrentou desafios profundos na maternidade, transformou sua experiência em uma missão de apoio a outras mães. Desde sua infância difícil, que a levou a ficar órfã aos seis anos, até seu diagnóstico recente de autismo, Joice encontrou na escrita uma ferramenta poderosa para ressignificar sua trajetória e combater a solidão.
A história de Joice começou em 2013, quando um encontro casual, organizado por Facebook, deu origem ao projeto Mães que Escrevem. O objetivo era simples: conectar mulheres para compartilhar suas vivências na maternidade. O primeiro encontro, realizado no Parque da Água Branca, superou as expectativas de Joice, que imaginava atrair apenas algumas participantes. Mais de 20 mães compareceram, criando um espaço de diálogo e apoio.
Ao longo dos anos, esse pequeno encontro evoluiu para um coletivo de mães feministas, que, além de trocas de experiências, passou a promover oficinas, arrecadar doações e oferecer palestras com profissionais de diversas áreas, como direito e psicologia. "Queríamos discutir temas relevantes e oferecer suporte a mulheres em situação de vulnerabilidade", explica Joice.
Em 2017, o projeto ganhou uma nova dimensão com o lançamento do blog Mães que Escrevem, que rapidamente se tornou uma plataforma de expressão para mães de todo o Brasil. Em dezembro de 2022, a revista Mães que Escrevem publicou sua 17ª edição, reunindo textos autorais, ensaios e entrevistas, e solidificando ainda mais a presença do instituto no cenário literário.
Márcia do Valle, uma das colaboradoras da revista, destacou a importância da iniciativa. "O contato entre mães tende a diminuir à medida que os filhos crescem. O projeto me ajudou a construir uma rede de apoio e a encontrar um espaço para me expressar", conta. Com 48 anos e uma filha na pré-adolescência, Márcia percebeu como é comum que as mães se sintam isoladas nesse período.
Atualmente, o Mães que Escrevem oferece publicações impressas e digitais, cursos e oficinas que discutem maternidade, saúde mental e produção cultural. Os textos podem ser enviados de forma anônima, embora alguns relatos tenham sido removidos por questões de privacidade. "A escrita é um processo de cura que nos permite abordar as violências e os desafios que enfrentamos", destaca Joice.
Além das publicações, o instituto também organiza o concurso Escrevivências Maternas, inspirado na obra da escritora Conceição Evaristo, que visa dar visibilidade à literatura materna. Joice enfatiza a importância de acolher mães autoras que buscam espaço em um cenário muitas vezes hostil.
Por meio da escrita, Joice Melo não apenas encontrou sua voz, mas também criou um espaço seguro para que outras mulheres possam compartilhar suas histórias e lutar contra a solidão da maternidade. "Mães que Escrevem foi um ponto de partida para eu não ter medo de expressar o que sinto", conclui.
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