Moradores de Perus, SP, denunciam fraude em audiência pública

Habitantes de Perus, em SP, acusam fraude em audiência pública

Os moradores do bairro de Perus, em São Paulo, foram excluídos da primeira audiência pública convocada pela prefeitura e pelo governo estadual para discutir a instalação de um incinerador de lixo, oficialmente chamado de Unidade de Recuperação de Energia (URE) Bandeirantes, operado pela Logística Ambiental São Paulo S.A. (Loga). Informações indicam que pessoas de fora do território foram recrutadas para desmobilizar a comunidade local, que se opõe ao projeto. Durante a audiência, realizada no Centro Educacional Unificado (CEU) Perus, muitos moradores não conseguiram entrar, enquanto um grupo de desconhecidos lotou o espaço, com alguns recebendo dinheiro para simular apoio à obra.

A situação se agravou com a presença de agentes da Guarda Civil Metropolitana, que impediram a fala de vereadores e mantiveram uma postura hostil. Apesar das reclamações, a assessoria da prefeitura negou o uso de equipamentos de controle de distúrbios. Os guarani mbya, da Terra Indígena do Jaraguá, também foram barrados inicialmente, mas conseguiram entrar. A condução da audiência gerou descontentamento, levando a comunidade a organizar uma audiência paralela.

Os moradores, liderados pelo engenheiro químico Mario Bortoto, expressaram preocupações sobre os impactos do incinerador, apontando que a tecnologia é considerada ultrapassada em outros países. Eles temem não apenas as cinzas tóxicas, mas também o aumento do tráfego de caminhões na área, o que poderia agravar problemas de saúde já existentes. A região de Perus enfrenta um histórico de estigmatização, com a população lidando com a falta de recursos de saúde e infraestrutura precária.

Thais Santos, uma das líderes do movimento, destacou que a audiência deveria ser um espaço democrático, mas foi manipulada, com seu horário coincidente com o expediente da classe trabalhadora, dificultando a participação dos moradores. Em vez do incinerador, os ativistas propõem um Território de Interesse de Cultura e Paisagem, buscando valorizar a natureza e resistir à lógica predatória.

Perus é uma área marcada por um histórico de exploração e violações de direitos, incluindo a Vala Clandestina do Cemitério Dom Bosco, utilizada para esconder corpos de perseguidos políticos durante a ditadura. Dados recentes apontam uma baixa expectativa de vida na região e uma alta emissão de poluentes, refletindo os problemas de desigualdade.

A empresa Loga e a prefeitura, em resposta às críticas, afirmaram que a audiência foi um espaço para esclarecimentos e que o projeto da URE não deve ser confundido com incineradores antigos, garantindo que a instalação será moderna e segura. Eles alegaram que o projeto visa reduzir o volume de resíduos, gerar energia e criar empregos, insistindo na importância da participação popular.

Contudo, a comunidade de Perus permanece cética, exigindo mais transparência e um diálogo real sobre os impactos do projeto em suas vidas e no meio ambiente. O caso evidencia a luta contínua de comunidades periféricas para serem ouvidas e para garantirem seus direitos em face de projetos que podem afetar significativamente sua qualidade de vida.

Fonte: Link original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Categorias

Publicidade
Publicidade

Assine nossa newsletter

Publicidade

Outras notícias