STF Avança no Julgamento do Assassinato de Marielle Franco: Mandantes Identificados
O julgamento dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (24). O relator do caso na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes, afirmou que as evidências apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) são contundentes e apontam para Domingos Inácio Brazão e João Francisco Inácio Brazão como os principais responsáveis pelos crimes.
Dentre os réus, além dos irmãos Brazão, estão o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto. Todos eles se encontram em prisão preventiva.
De acordo com a delação do ex-policial Ronnie Lessa, que confessou ter disparado contra a vereadora, os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa desempenharam papéis centrais na articulação do crime. Ronald Alves, por sua vez, é acusado de monitorar a rotina de Marielle e repassar informações aos mandantes. Robson Calixto teria sido responsável por entregar a arma utilizada no assassinato.
Ao iniciar a sessão, o presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, destacou a capacidade do STF de manter um julgamento técnico e imparcial. Em seguida, foi a vez de Moraes apresentar seu relatório, onde ressaltou que durante a investigação foram ouvidas nove testemunhas de acusação e 46 de defesa.
Moraes também mencionou que Robson Calixto e os outros citados na denúncia já possuem condenações em outras instâncias e estavam envolvidos em uma organização criminosa que atuava na grilagem de terras e na exploração irregular do mercado imobiliário. “Essas milícias também serviam como redutos eleitorais para os irmãos Brazão”, afirmou o ministro.
O relatório da PGR aponta que Domingos e João Francisco teriam utilizado os loteamentos irregulares como forma de pagamento a Rony Lessa pelo assassinato de Marielle Franco. Além disso, Moraes destacou que as atividades do grupo incluíam extorsão e ocupação irregular do solo.
A Procuradoria-Geral também estabeleceu conexões entre as organizações criminosas e as milícias do Rio de Janeiro, evidenciando que os irmãos Brazão usaram suas posições políticas para expandir seus negócios ilegais. O ministro lembrou que desde 2008, alertas sobre a ligação entre os irmãos e as milícias já haviam sido feitos, especialmente pelo deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, de quem Marielle foi assessora.
Moraes enfatizou que a eliminação de Marielle tinha como objetivo não apenas silenciar uma voz opositora, mas também intimidar outros membros da oposição. O relator ainda destacou que, no dia anterior ao assassinato, Rivaldo havia assumido o cargo de chefe da Polícia Civil e, no dia seguinte, designou um delegado para investigar o caso, que teria agido sob suas instruções para manipular depoimentos.
Com base nas provas apresentadas até o momento, o relator concluiu que não restam dúvidas sobre a responsabilidade dos irmãos Brazão e dos demais réus. O julgamento continua, trazendo esperança de justiça para o caso que chocou o Brasil e o mundo.
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