Ministério Público da Bahia Pede Arquivamento de Inquérito sobre Assassinato de Ativista Flávio Pacífico dos Santos
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) solicitou o arquivamento do inquérito que investigava a morte do ativista Flávio Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo. O crime, que chocou a comunidade local, ocorreu em setembro de 2017, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Binho era filho da influente líder quilombola Mãe Bernadete, assassinada em agosto de 2023, também em um crime que gerou grande repercussão.
Binho e sua mãe foram figuras centrais na luta contra a especulação imobiliária e tentaram impedir a instalação de um aterro de resíduos da construção civil próximo ao quilombo onde residiam. O aterro, pertencente à empresa Naturalle, é controlado por Vitor Loureiro Souto, filho do ex-governador Paulo Souto. Embora as investigações não tenham encontrado evidências que ligassem os dois crimes à instalação do aterro, a conexão entre os casos continua a ser uma preocupação para a família.
O ativista foi assassinado com 12 disparos dentro de seu veículo, no território quilombola Pitanga dos Palmares. Em nota, o MP-BA justificou o pedido de arquivamento, afirmando que as investigações não conseguiram identificar os autores do crime, o que impossibilitou a apresentação de uma denúncia criminal. A 7ª Promotoria de Justiça da Bahia acompanhava o caso desde 2018.
Três meses após o assassinato, a família de Binho apresentou à Polícia Civil vídeos e fotos de um veículo que teria sido utilizado pelos criminosos. Contudo, a falta de progresso nas investigações levou a frustração entre os familiares. Jurandir Pacífico, irmão de Binho, expressou sua decepção com a decisão do MP-BA, questionando a ausência de indícios que justifiquem o arquivamento.
Adiamento do Júri Popular de Mãe Bernadete
Em um desdobramento preocupante, o júri popular que julgará os acusados pelo assassinato de Mãe Bernadete foi adiado. O julgamento, inicialmente agendado para 24 de fevereiro, foi remarcado para 13 de abril. Mãe Bernadete, que foi morta com 22 disparos em agosto de 2023, havia se tornado uma voz proeminente na luta contra a instalação do aterro da Naturalle, que ela denunciava como um "maldito lixão".
Antes de sua morte, Mãe Bernadete tinha se integrado ao programa de proteção aos defensores de direitos humanos, que previa medidas de segurança, mas havia falhas na implementação, como a falta de policiamento no momento do crime.
A Naturalle se manifestou publicamente lamentando as mortes de Binho e Mãe Bernadete, expressando esperança na elucidação dos assassinatos. O MP-BA indicou que o crime contra Mãe Bernadete estava relacionado à sua oposição ao tráfico de drogas na região, com dois homens identificados como principais suspeitos.
Jurandir Pacífico criticou o adiamento do júri, considerando-o uma manobra que desrespeita a memória e o legado de luta de sua mãe. A expectativa pela justiça permanece alta, enquanto a família continua a buscar respostas e accountability para os crimes que vitimizaram Binho e Mãe Bernadete.
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