As negociações para um cessar-fogo entre representantes do Irã e dos Estados Unidos, iniciadas em Islamabad, Paquistão, neste sábado (11), marcam um momento histórico, pois é a primeira vez que autoridades de alto escalão dos dois países se encontram desde a Revolução Islâmica de 1979. As conversas, mediadas pelo governo paquistanês, têm como foco principal a questão do controle do Estreito de Ormuz, uma região estratégica no Golfo Pérsico, vital para o comércio de petróleo. O Irã se recusa a abrir mão do controle sobre esta área, o que tem sido um ponto de impasse nas negociações.
Até o momento, foram realizadas duas rodadas de diálogos, com a troca de documentos para alinhar as posições de ambos os lados. Durante a terceira rodada, que começou por volta das 23 horas, o Irã apresentou uma série de exigências, incluindo garantias para o fim da guerra, proteção contra futuros ataques, o levantamento das sanções econômicas, o controle do Estreito de Ormuz, a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano e até uma indenização pelos ataques realizados em conjunto por Washington e Tel Aviv. Além disso, o Irã pediu o descongelamento de seus ativos financeiros no exterior.
Por outro lado, os Estados Unidos exigem o fim do programa nuclear iraniano e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. A expectativa inicial era de que as delegações não se encontrassem na mesma sala, mas isso não se concretizou, e os negociadores acabaram dialogando diretamente, sempre sob a mediação do Paquistão. Entre os representantes dos EUA estavam o vice-presidente JD Vence, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, ex-conselheiro sênior da Casa Branca. Representando o Irã, estiveram presentes o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Enquanto as negociações prosseguem, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez postagens provocativas nas redes sociais, alegando que as forças americanas estavam retirando minas submarinas do Estreito de Ormuz, informação que foi negada pelo Irã. Ele também fez declarações que aparentam justificar um possível acordo de cessar-fogo.
Paralelamente, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ignorou as tratativas em curso e continuou ordenando ataques ao Líbano, que resultaram na morte de pelo menos dez pessoas, incluindo médicos. Desde o início do primeiro cessar-fogo, quase 400 libaneses foram mortos em bombardeios israelenses. Netanyahu reafirmou sua intenção de prosseguir com os ataques ao Irã e seus aliados.
O Papa Leão XIV também se manifestou, fazendo um discurso contundente contra a guerra e apoiando as negociações, pedindo que as pessoas não idolatrassem quem promove conflitos. Protestos contra a guerra foram registrados em várias cidades, incluindo Jerusalém e Londres, onde manifestantes exigiram o fim das hostilidades no Líbano. Em Beirute, apoiadores do Hezbollah realizaram atos criticando as tratativas entre o Líbano e Israel. O clima é tenso à medida que as negociações buscam um caminho para a paz em meio a um cenário de violência persistente.
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