Cuidado com o Carnaval: Medicamentos emagrecedores e consumo de álcool podem ser uma combinação perigosa
O Carnaval é uma época de folia e diversão, mas é preciso estar atento aos riscos que podem surgir, especialmente para aqueles que fazem uso de medicamentos emagrecedores. Ana Victoria, uma profissional de relações públicas de 25 anos, teve uma experiência alarmante durante um bloco de pré-Carnaval em São Paulo. Após consumir apenas duas cervejas, ela começou a sentir tontura e formigamento, sintomas que a levaram a perceber que a combinação de álcool e sua medicação poderia ser arriscada.
Ana está utilizando Mounjaro, um dos medicamentos da nova geração de canetas emagrecedoras, há sete meses e havia decidido evitar a bebida alcoólica durante esse período. No entanto, a pressão arterial caiu rapidamente, levando a uma tarde de desconforto. "Quando minha pressão começa a baixar, sinto a visão turva e formigamento nas mãos e nos lábios", explicou.
Com a crescente popularidade de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, médicos têm alertado para os perigos da mistura dessas substâncias com álcool, especialmente durante períodos de calor intenso, jejum e atividades físicas típicas do Carnaval.
Os riscos associados ao uso de medicamentos emagrecedores
A endocrinologista Elaine Dias esclarece que esses medicamentos atuam no intestino, retardando o esvaziamento gástrico, o que pode levar a gastrite e refluxo quando combinados com alimentos gordurosos ou álcool. Além disso, o jejum prolongado, muitas vezes causado pela saciedade induzida pelos medicamentos, pode esgotar as reservas de glicogênio, aumentando o risco de hipoglicemia.
O cardiologista Eduardo Lima, do Hospital Nove de Julho, destaca que o álcool pode causar desidratação, elevando a pressão arterial e a frequência cardíaca. "A combinação do álcool com os análogos de GLP-1 pode resultar em taquicardia em alguns pacientes", alerta.
Após seu episódio desconfortável, Ana decidiu eliminar completamente o álcool de sua rotina. "Agora é zero álcool real, sem brechas para cervejinhas", afirmou.
A crescente popularidade das canetas emagrecedoras no Brasil
O uso de medicamentos emagrecedores no Brasil tem aumentado de maneira alarmante. De acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia, o mercado cresceu 88% em 2025, movimentando cerca de R$ 9 bilhões em importações. Uma pesquisa da Ipsos revelou que 58% dos brasileiros já ouviram falar das canetas emagrecedoras, um índice bem acima da média global de 36%. Além disso, a Anvisa estima que o mercado ilegal dessas substâncias gere cerca de R$ 600 milhões anualmente no país.
Os especialistas alertam que muitos usuários não estão sob supervisão médica, o que os impede de entender os riscos envolvidos. "Desmaios e desidratação extrema são alguns dos efeitos colaterais que podemos observar", afirma Eduardo Lima.
Como se prevenir durante o Carnaval
Diferenciar os sintomas de uma ressaca normal de uma hipoglicemia é fundamental. Segundo Elaine Dias, a hipoglicemia pode causar sudorese fria, confusão mental, tremores e fome, além de taquicardia. Em caso de desmaio, a orientação é garantir a segurança da pessoa e buscar ajuda médica imediatamente.
Para aqueles que planejam aproveitar o Carnaval, a endocrinologista enfatiza que a suspensão do medicamento não é recomendada. Contudo, a redução da dose na semana do evento pode ser uma possibilidade a ser discutida com um médico.
As orientações são claras: nunca beber com o estômago vazio, intercalar bebidas alcoólicas com água ou isotônicos, e fazer refeições adequadas antes de sair. Eduardo Lima finaliza ressaltando a importância de um Carnaval consciente: "Quem usa essas medicações deve evitar a pressão social para beber e se manter bem hidratado."
Com precauções e informações adequadas, é possível aproveitar a festa sem colocar a saúde em risco.
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