Eleições Gerais no Peru: Um Novo Capítulo na Crise Política do País
Neste domingo, 12 de novembro, o Peru se prepara para mais um importante momento em sua turbulenta história política, ao realizar sua eleição geral. Os peruanos vão às urnas para escolher o décimo presidente em apenas dez anos, em meio a um cenário marcado por renúncias e impeachments. Os resultados da votação devem ser divulgados à meia-noite.
Com um eleitorado de aproximadamente 27 milhões de cidadãos, a eleição não se limita à escolha do presidente e do vice-presidente, mas também abrange a seleção de 130 deputados e 60 senadores que irão compor o Congresso nos próximos cinco anos. Esta eleição também representa a reabertura do Senado, que esteve fechado por 33 anos, em um contexto onde o sistema bicameral foi reestabelecido em 2024, apesar da rejeição popular em um plebiscito em 2018.
Candidatos e Expectativas
A disputa presidencial conta com 35 candidatos, o que torna os resultados incertos. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera as pesquisas com cerca de 15% das intenções de voto, sendo a candidata mais provável a avançar para o segundo turno, agendado para 7 de junho. Contudo, a alta rejeição a seu nome indica um teto de apoio que ela não tem conseguido ultrapassar.
A identidade de seu adversário no segundo turno permanece indefinida, uma vez que as pesquisas não apontam um candidato favorito, resultando em um grande empate técnico entre os demais concorrentes.
Impactos Comerciais e Políticos
Gustavo Menon, professor de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), destaca que estas eleições têm implicações significativas nas relações comerciais entre China e Estados Unidos na América Latina. Ele acredita que a vitória de um candidato de direita poderia ajudar a conter a influência chinesa no comércio regional.
Menon observa ainda que o comércio chinês pelo porto de Chancay tem fortalecido os laços do Peru com as rotas comerciais da Ásia e do Pacífico. Por outro lado, Keiko Fujimori sinaliza uma aproximação com os EUA, alinhando-se a políticas que buscam restringir a influência chinesa na região.
Concorrentes em Destaque
Além de Fujimori, o ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, conhecido como "Porky", também se destaca entre os candidatos de direita, sendo comparado a figuras como Donald Trump. O humorista Carlos Álvarez é outro nome que ganha força nas pesquisas.
Do lado esquerdo, o cenário é ainda mais fragmentado, com candidatos pontuando em torno de 5% das intenções de voto. O deputado Roberto Sánchez, que recebeu apoio do ex-presidente Pedro Castillo, e Vladimir Cerrón, ex-aliado de Castillo, são alguns dos nomes que emergem neste campo. No entanto, a grande dispersão de votos complica a previsão de quem avançará para o segundo turno.
Um Histórico de Crises
Nas eleições de 2021, Pedro Castillo, um professor rural de centro-esquerda, surpreendeu ao vencer, mas acabou sendo destituído e preso após uma tentativa de dissolver o Parlamento, sendo condenado a mais de 11 anos por "rebelião". Sua vice, Dina Boluarte, que assumiu após sua saída, enfrentou forte oposição e violência durante as manifestações, resultando em 49 mortes, conforme a Anistia Internacional. Com uma aprovação popular extremamente baixa, Boluarte foi destituída em 10 de outubro de 2025, e a instabilidade continuou com a rápida troca de presidentes interinos.
As eleições de hoje não apenas representam uma nova oportunidade para o povo peruano, mas também refletem a complexidade de um país que busca estabilidade em meio a um ambiente político conturbado.
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