O endocrinologista e metabologista Nemer Finotelo discute as consequências que os picos de glicose podem ter sobre a saúde do pâncreas e do organismo como um todo. O pâncreas desempenha um papel fundamental na regulação dos níveis de glicose no sangue, produzindo insulina, um hormônio crucial para o metabolismo dos carboidratos. Quando ocorrem picos de glicose, que podem ser causados por uma alimentação inadequada, como o consumo excessivo de açúcares e carboidratos simples, o pâncreas precisa trabalhar mais intensamente para liberar insulina.
Com o tempo, essa sobrecarga pode levar a uma série de problemas, incluindo resistência à insulina, uma condição em que as células do corpo se tornam menos responsivas à insulina. Esse fenômeno pode resultar em níveis elevados de glicose no sangue, o que, por sua vez, aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2. A resistência à insulina é uma condição comum em pessoas com obesidade, sedentarismo e uma dieta rica em açúcares.
Além da resistência à insulina, o pâncreas também pode sofrer um desgaste devido à produção excessiva de insulina. Essa sobrecarga pode levar à função pancreática prejudicada, onde as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina, se esgotam. Isso pode resultar em um quadro de diabetes mellitus, que é caracterizado por hiperglicemia crônica e pode levar a complicações sérias, como doenças cardiovasculares, problemas renais, neuropatias e complicações oculares.
Finotelo ressalta a importância de manter níveis adequados de glicose para preservar a saúde do pâncreas. Ele recomenda uma dieta equilibrada, rica em fibras, proteínas e gorduras saudáveis, que ajuda a controlar os níveis de glicose no sangue. Alimentos integrais, frutas, vegetais e grãos são preferíveis, pois liberam glicose de forma mais lenta na corrente sanguínea, evitando picos abruptos.
A prática regular de atividades físicas também é fundamental para a manutenção do equilíbrio glicêmico. O exercício físico melhora a sensibilidade à insulina e ajuda o corpo a usar a glicose de forma mais eficiente. Além disso, a atividade física pode auxiliar na perda de peso, um fator importante para prevenir a resistência à insulina.
Finotelo enfatiza ainda a importância do monitoramento da saúde metabólica, especialmente para pessoas com histórico familiar de diabetes ou que apresentem outros fatores de risco, como sobrepeso ou sedentarismo. Consultas regulares com profissionais de saúde para avaliação de glicose e outros marcadores metabólicos podem ajudar na identificação precoce de problemas e na adoção de medidas preventivas.
Por fim, o médico alerta que a educação sobre alimentação saudável e hábitos de vida é crucial para que as pessoas compreendam a relação entre dieta, atividade física e saúde do pâncreas. O conhecimento é uma ferramenta poderosa para prevenir doenças crônicas e promover uma vida mais saudável e equilibrada. A conscientização sobre a importância de manter a glicose em níveis adequados pode ajudar a evitar complicações sérias e a garantir uma melhor qualidade de vida.
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