Na quinta-feira, 2 de abril, o governo de Donald Trump criticou o sistema de pagamentos brasileiro, Pix, em um relatório do United States Trade Representative (USTR). Esse documento também menciona desafios como a regulação das redes sociais e a “taxa das blusinhas”, que impactam os interesses comerciais dos Estados Unidos. O professor Gilberto Maringoni, da Universidade Federal do ABC, analisa que o Pix, juntamente com outros sistemas de pagamento internacionais, representa uma ameaça à hegemonia do dólar, que se consolidou após a Segunda Guerra Mundial. Ele explica que a predominância do dólar permite que os Estados Unidos controlem a emissão de moeda e as taxas de juros, tornando-se central nas transações globais.
Maringoni destaca um movimento global em direção à diminuição da dependência do dólar, o que explica a atenção do governo americano sobre o Pix. Ele também menciona a coincidência da data do relatório com o primeiro aniversário da imposição de tarifas a diversos países, incluindo o Brasil, e a insatisfação dos EUA com a regulação proposta para as grandes empresas de tecnologia. Além disso, critica o discurso do senador Flávio Bolsonaro, que chamou Lula de anti-americano por buscar uma economia menos dependente do dólar, considerando-o um traidor da pátria.
Em resposta a essas provocações, Lula reafirmou a soberania do Brasil, destacando que “na nossa soberania, ninguém toca.” Essa posição é vista por Maringoni como uma reação inteligente às acusações e pressões externas.
Além dessa questão, no mesmo dia, o Irã declarou que um ataque dos Estados Unidos poderia ser devastador. O alerta ocorreu após Trump afirmar que lançaria bombardeios que retrocederiam o Irã à Idade da Pedra, uma referência à Guerra do Vietnã. Maringoni interpreta essa ameaça como um sinal de desespero e descontrole por parte dos EUA, sugerindo que isso indica problemas na estratégia militar americana.
O Irã, por sua vez, se posiciona como uma civilização com uma história de mais de cinco mil anos, enfatizando que a luta contra os EUA não é apenas uma questão de conflito militar, mas uma batalha de inteligência e resiliência cultural. Um representante iraniano ressaltou que os Estados Unidos não estão lutando contra um país, mas contra uma civilização rica e antiga.
O programa Conexão BdF, que aborda essas e outras questões, é transmitido de segunda a sexta-feira, com edições ao meio-dia e às 17h, pela Rádio Brasil de Fato e pelo YouTube da plataforma. A análise de Maringoni oferece uma perspectiva crítica sobre as dinâmicas de poder no comércio internacional e as tensões geopolíticas, revelando como sistemas de pagamento e discursos políticos estão interligados a interesses mais amplos em um cenário global em transformação.
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