Tenente-Coronel da PM de São Paulo Enfrenta Conselho de Justificação por Acusação de Feminicídio
São Paulo – O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, será submetido a um Conselho de Justificação, um procedimento que pode resultar em sua expulsão da Polícia Militar de São Paulo. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública, Nico Osvaldo Gonçalves, nesta quinta-feira (26).
Neto está preso desde 18 de março, acusado de assassinar sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, com um tiro na cabeça. O crime ocorreu no apartamento do casal, localizado no Brás, região central da capital paulista. O secretário informou que ainda não há uma data definida para a instauração do Conselho.
O Inquérito Policial Militar que investiga o caso encontra-se em fase final. Após sua conclusão, o Comando-Geral da PM, liderado pelo coronel José Augusto Coutinho, avaliará a necessidade de abrir o Conselho de Justificação. Este procedimento tem como principal objetivo determinar se o militar possui condições morais e profissionais para manter sua patente, permitindo que ele também apresente sua defesa.
A defesa do tenente-coronel Neto, por meio do advogado Eugênio Malavasi, afirmou que ele exercerá seu direito de defesa caso o processo seja instaurado. "Ele vai se defender normalmente no Conselho de Justificação", disse Malavasi.
Por outro lado, o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, tem solicitado publicamente a abertura do processo desde o dia 23. Ele ressaltou a importância de um procedimento disciplinar, mesmo antes do trânsito em julgado do processo judicial. "É comum na Polícia Militar avaliar a conduta ética do policial", argumentou Silva.
A legislação que rege o Conselho de Justificação em São Paulo não estabelece um prazo específico para o início do procedimento. Contudo, há precedentes de ações mais rápidas por parte do governo estadual. Em 2022, por exemplo, o Conselho foi instaurado apenas 11 dias após a prisão do tenente Henrique Otávio Oliveira Velozo, acusado de matar o lutador de jiu-jitsu Leandro Lo.
Reviravolta no Caso
A morte de Gisele, inicialmente classificada como suicídio, foi reclassificada para morte suspeita e, posteriormente, feminicídio, após divergências entre o depoimento de Neto e as evidências encontradas no local. A Justiça determinou a exumação do corpo, e o laudo do Instituto Médico Legal (IML) revelou lesões no pescoço e no rosto da policial, indicando sinais de luta.
Neto foi detido em seu apartamento em São José dos Campos, onde enfrenta acusações de feminicídio, fraude processual e violência doméstica. A situação gera grande repercussão e levanta questões sobre a conduta dos agentes de segurança pública em casos de violência doméstica.
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