A 1ª Conferência Internacional Antifascista, realizada em Porto Alegre, reuniu milhares de pessoas em uma marcha que simbolizou a luta contra a extrema direita, em um momento significativo que coincide com os 25 anos do Fórum Social Mundial. A mobilização atraiu diversas organizações populares e movimentos sociais, além de delegações internacionais, todas unidas em defesa da democracia. A abertura do evento foi marcada pela Marcha Antifascista, que percorreu o centro histórico da cidade, refletindo a continuidade das lutas sociais em escala global.
Líderes de movimentos sociais, como Ieda Leal, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE), enfatizaram a marcha como um sinal de resistência e a importância da luta pela democracia. O ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, caracterizou o fascismo como uma expressão violenta do capitalismo e defendeu uma democracia que priorize a participação popular. No contexto internacional, o deputado português João Oliveira ressaltou a necessidade de unir as lutas sociais com a mobilização institucional, afirmando que é possível construir um novo mundo por meio da mobilização popular.
A presença de diversas vozes latino-americanas também foi marcante, com representantes do México, Argentina e Guatemala, que discutiram as crises atuais e a necessidade de unidade nas lutas contra a repressão e as políticas neoliberais. Ingrid Urrutia, da Argentina, destacou a importância da mobilização coletiva frente ao avanço da direita, enquanto Susana Hugo denunciou a repressão enfrentada por movimentos sociais em seu país.
Além disso, a conferência abordou temas como a luta dos povos indígenas e as ameaças aos seus territórios. Auricélia Arapiun trouxe à tona as experiências da Amazônia, destacando a importância da luta coletiva e a necessidade de defender a ancestralidade e os modos de vida indígenas como alternativas para enfrentar a crise global.
Os participantes também discutiram questões geopolíticas, como o bloqueio econômico a Cuba e a ocupação do Saara Ocidental, ressaltando a importância da solidariedade internacional. O cônsul cubano Benigno Pérez Fernandes e o embaixador Ahmed Moulayali clamaram por apoio na luta contra as injustiças que seus países enfrentam.
A conferência foi proposta como um ponto de partida para articulações permanentes contra a extrema direita, com ênfase na construção de alianças duradouras e na mobilização popular. A recuperação da memória do Fórum Social Mundial foi um aspecto central, com os participantes buscando consolidar uma rede internacional de enfrentamento ao fascismo e promovendo um diálogo sobre alternativas ao modelo econômico dominante.
Assim, a 1ª Conferência Internacional Antifascista em Porto Alegre não apenas resgatou a memória de lutas passadas, mas também apresentou uma agenda de resistência e solidariedade, buscando unir esforços globais em um cenário de crescente polarização política e social. Com um forte apelo à ação, os participantes reafirmaram seu compromisso com a defesa da democracia e a construção de um mundo mais justo e solidário.
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