A greve dos servidores técnico-administrativos em educação das instituições federais ganhou nova intensidade a partir de 30 de outubro, com ações em várias regiões do Brasil, incluindo o bloqueio do campus da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Esta mobilização, orquestrada pelo Comando de Greve do Sindicato dos Técnico-administrativos em Educação da UFRGS, UFCSPA e IFRS (Assufrgs), se alinha a um movimento nacional que já envolve cerca de 50 universidades e institutos federais.
A ação em Porto Alegre visou pressionar o governo federal diante da estagnação nas negociações sobre a reestruturação da carreira e a recomposição salarial da categoria, temas que estão em debate desde 2024. Myrela Leitão, do Comando Local de Greve, declarou que o bloqueio foi um sucesso, garantindo a paralisação de todas as atividades acadêmicas e administrativas na UFCSPA. Ricardo Souza, coordenador-geral da Assufrgs, comentou sobre o caráter de enfrentamento do movimento, criticando a sanção do Projeto de Lei 6170 pelo presidente Lula, que, segundo ele, representa um retrocesso.
O cerne do conflito reside no PL 6170, que propõe a reorganização da carreira dos técnico-administrativos. Os representantes sindicais afirmam que o texto não atende a demandas essenciais e altera compromissos previamente negociados. Maristela Piedade, coordenadora geral da Assufrgs, enfatizou que a aprovação do projeto sem emendas defendidas pela categoria compromete direitos históricos, o que pode prolongar a greve e aumentar a adesão ao movimento. Uma das principais críticas é a flexibilização nas contratações para funções de acessibilidade, que poderia resultar em vínculos precários e afetar o atendimento a estudantes.
Após o bloqueio, uma assembleia foi realizada para discutir a continuidade da greve e a necessidade de atos como o de Porto Alegre até que o governo cumpra integralmente os acordos de 2024. Charles Almeida, integrante do Comando Local de Greve, pediu a reabertura imediata das negociações, enfatizando que as demandas da categoria são justas. Em resposta ao bloqueio, a Reitoria da UFCSPA recomendou que estudantes e servidores não se dirigissem ao campus, sugerindo atividades remotas quando possível. Apesar das paralisações, houve negociações para manter serviços essenciais, como manutenção de biotérios e atendimentos assistenciais.
A mobilização dos técnico-administrativos também repercute politicamente. Parlamentares, como o deputado federal Glauber Braga, manifestaram apoio à greve, reforçando que os trabalhadores buscam apenas o cumprimento de acordos já firmados. O governo federal, por outro lado, ainda não apresentou uma resposta clara às críticas sobre o PL 6170, mantendo as negociações restritas entre ministérios e sindicatos.
A continuidade da greve foi aprovada em assembleia, com planos para uma caravana a Brasília nos dias 14 e 15 de abril, onde a categoria se unirá a outras em atos nacionais. As pautas incluem não apenas a carreira dos técnico-administrativos, mas também melhorias nas condições de trabalho, como críticas à Escala 6×1. A mobilização se intensifica, refletindo uma luta por direitos e o cumprimento de compromissos assumidos pelo governo.
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