Reflorestamento: O Brasil em Busca de Tornar-se um Modelo Global

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Em 2030, o governo brasileiro almeja alcançar a meta de zerar o desmatamento ilegal, um objetivo considerado ambicioso, mas que pode ser insuficiente para eliminar as emissões líquidas de gases do efeito estufa até 2050. Organizações ambientais defendem que, além de interromper o desmatamento, é fundamental reflorestar áreas degradadas. O Brasil possui aproximadamente 100 milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser recuperadas, o que representa cerca de 12% do seu território. O governo se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares até 2030, um compromisso reafirmado em 2024, que se originou no Acordo de Paris de 2015. O reflorestamento é vital, pois as florestas absorvem de 25% a 30% das emissões globais, reduzindo eventos climáticos extremos que causam perda de biodiversidade e crises agrícolas.

Um estudo do Instituto Escolhas revelou que restaurar esses 12 milhões de hectares poderia remover 4,3 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera, equivalente a dois anos de emissões brasileiras. Entretanto, o custo estimado para essa restauração é elevado, cerca de R$ 228 bilhões, um valor comparável ao orçamento federal destinado à saúde em 2026. Sem os recursos necessários, o reflorestamento está avançando lentamente, com apenas 150 mil hectares incorporados a projetos de restauração entre 2022 e 2024, representando menos de 2% da meta.

Para enfrentar essa situação, governos, organizações civis e o setor privado buscam desenvolver modelos de reflorestamento economicamente viáveis, como a venda de créditos de carbono e produtos extraídos da floresta. Durante a cúpula do G20 em 2024, foi lançada a Coalizão Brasil para o Financiamento da Restauração e da Bioeconomia (BRBFC), que visa unir esforços públicos e privados para acelerar o reflorestamento. A expectativa é que a restauração de 12 milhões de hectares possa gerar uma receita de R$ 776,5 bilhões por meio de várias fontes, incluindo créditos de carbono e produtos florestais.

Iniciativas como a concessão da Floresta Nacional do Bom Futuro, que busca restaurar áreas desmatadas e promover a venda de créditos de carbono, estão sendo implementadas. Embora o mercado de créditos de carbono enfrente críticas sobre sua validação e abrangência, algumas empresas já se destacam na restauração florestal. O BTG Pactual, por exemplo, está desenvolvendo um projeto que integra o cultivo de eucalipto com a restauração, com apoio financeiro do BNDES.

No entanto, a viabilidade desses modelos depende de melhorias na segurança jurídica em questões fundiárias e clareza tributária. Apesar do otimismo em relação ao potencial do Brasil para liderar essas iniciativas, a implementação ainda enfrenta desafios significativos. O caminho para a restauração florestal é promissor, mas a necessidade de garantir investimentos sustentáveis e a validação de novos modelos de negócios é crucial para alcançar as metas estabelecidas.

Fonte: Link original

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