Relator Justifica Absolvição em Caso de Estupro ao Classificar Menina e Adulto como ‘Jovem Casal’

Relator Justifica Absolvição em Caso de Estupro ao Classificar Menina e Adulto como 'Jovem Casal'

Decisão Judicial Polêmica Absolvição de Acusado de Estupro de Menina de 12 Anos Gera Repercussão

O recente julgamento que absolveu um homem acusado de estuprar uma menina de 12 anos em Minas Gerais provocou uma onda de indignação e críticas em diversos setores da sociedade. O relator da decisão, desembargador Magid Nauef Láuar, justificou sua posição com base na suposta experiência prévia da criança em relações com adultos, o que, segundo ele, a tornaria menos vulnerável.

A Promotoria de Minas Gerais já se manifestou e pretende recorrer da decisão, considerando-a inadequada e preocupante. Durante o processo, a vítima relatou que já havia se envolvido com homens mais velhos antes dos acontecimentos que a levaram ao tribunal. Sua mãe corroborou a versão da filha, revelando que essa prática seria comum na cidade onde residem.

Láuar, da 9ª Câmara Criminal Especializada, sustentou em seu voto que "a vulnerabilidade que normalmente se observa em crianças não foi evidenciada nas declarações ao longo do processo". Em sua argumentação, ele enfatizou a "proteção da família" e descreveu a relação da menina com o acusado como a de um "jovem casal". Vale ressaltar que a legislação brasileira estabelece que a prática de atos sexuais com menores de 14 anos é crime, independentemente do consentimento.

O caso é ainda mais complexo considerando que o acusado, atualmente com 35 anos, teria apenas 20 na época dos fatos, enquanto a menina tinha 12. O julgamento ocorreu em fevereiro deste ano, e o réu havia sido condenado em primeira instância.

Em sua decisão, o desembargador afirmou que "a vida é maior que o direito", sugerindo que a penalização poderia causar mais danos do que benefícios. Ele argumentou que a proteção integral à criança deve ser harmonizada com outros valores sociais, como a centralidade da família.

No entanto, essa perspectiva não foi unânime. A desembargadora Kárin Emmerich, em voto divergente, criticou a absolvição, apontando que os fundamentos utilizados reproduzem um padrão patriarcal e sexista. Ela destacou que a legislação brasileira evoluiu para não tolerar a sexualização precoce de crianças e que menores de 14 anos devem ter sua proteção garantida de forma absoluta.

O caso ganhou notoriedade e gerou reações no cenário político. Deputados de diferentes espectros ideológicos, como Nikolas Ferreira e Duda Salabert, manifestaram suas críticas à decisão judicial. Salabert anunciou que levará a questão à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, considerando inaceitável a relativização do estupro de crianças.

Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta, também se posicionou, ressaltando que a decisão enfraquece a proteção legal e contribui para a naturalização do abuso contra vulneráveis. Ela enfatizou que a violência sexual contra menores de 14 anos deve ser tratada com a seriedade que a legislação atual estipula.

O acórdão do julgamento, que estava disponível no site do tribunal, foi colocado em segredo de justiça após a repercussão negativa. A complexidade e a gravidade do caso continuam a ser debatidas, refletindo a necessidade urgente de uma análise crítica sobre a proteção de crianças e adolescentes no Brasil.

Fonte: Link original

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