Um novo equipamento desenvolvido em parceria entre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e a Universidade Federal do Pará (UFPA) será apresentado durante o Acampamento Terra Livre em Brasília, a partir deste domingo (5). O dispositivo, que possui fabricação nacional e é de baixo custo, tem como objetivo medir poluentes dentro de territórios indígenas. Essa iniciativa surge em um contexto em que a qualidade do ar na Amazônia é severamente afetada, principalmente por queimadas florestais e limpeza de pastagens, em contraste com a poluição urbana provocada por veículos automotores.
Filipe Viegas Arruda, pesquisador do IPAM e responsável pelo desenvolvimento do aparelho, destaca a importância da tecnologia para desmistificar a ideia de que os habitantes da floresta respiram apenas ar puro. Em 2024, a Amazônia Legal enfrentou 138 dias em que a qualidade do ar foi classificada como péssima e nociva à saúde, exacerbada por secas extremas. O novo equipamento mede a temperatura, umidade e níveis de poluição a cada dois minutos, com alta precisão. Um dos principais diferenciais da ferramenta é sua capacidade de detectar partículas ultrafinas, conhecidas como PM 2.5, que são dez vezes menores que um fio de cabelo humano. Essas partículas podem penetrar profundamente nos pulmões e chegar à corrente sanguínea, potencialmente provocando doenças respiratórias e cardiovasculares.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que os moradores da Amazônia podem perder até três anos de expectativa de vida devido à degradação da qualidade do ar. O projeto, denominado RedeAr, visa cruzar as informações sobre poluição com registros de atendimentos médicos realizados pela Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e pelo sistema Telesaúde. O intuito é fornecer dados que ajudem o poder público a adaptar e melhorar políticas de saúde e ambientais para as comunidades indígenas.
O monitoramento ambiental em regiões remotas, como as florestas da Amazônia, enfrenta desafios significativos, incluindo a falta de infraestrutura de internet. No Brasil, existem cerca de 570 estações de análise da qualidade do ar, mas apenas 12 estão localizadas em terras indígenas, evidenciando a necessidade de expandir o monitoramento nessas áreas. A introdução deste novo equipamento representa um passo importante para aumentar a conscientização sobre a poluição do ar e suas consequências para a saúde das comunidades indígenas e para o meio ambiente.
Essa tecnologia não apenas proporciona dados em tempo real sobre a qualidade do ar, mas também poderá servir como uma ferramenta crucial para advocacy e formulação de políticas públicas. A integração das informações sobre poluição com os dados de saúde permitirá uma abordagem mais holística para enfrentar os desafios da degradação ambiental e suas implicações para a saúde das populações indígenas. Assim, o equipamento desenvolvido pelo IPAM e UFPA se apresenta como uma inovação valiosa no combate aos problemas ambientais que afetam diretamente a vida e a saúde dos povos da Amazônia.
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