Quase 8 Mil Migrantes Mortos ou Desaparecidos em Rotas Perigosas em 2022, Afirma OIM
Em um cenário alarmante, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) revelou que, no ano passado, cerca de 8 mil pessoas perderam a vida ou desapareceram em rotas migratórias arriscadas, como o Mediterrâneo e o Chifre da África. No entanto, especialistas alertam que o número real pode ser ainda maior devido a cortes no financiamento que impactaram o acesso humanitário e o monitoramento das mortes.
O relatório da OIM destaca uma tendência preocupante: a diminuição das vias legais para migração tem forçado um número crescente de pessoas a recorrer a contrabandistas. Este fenômeno ocorre em um contexto em que países como Europa e Estados Unidos intensificam a fiscalização e investem fortemente em medidas de contenção.
“A perda contínua de vidas nas rotas migratórias é uma falha global que não podemos aceitar como normal,” afirmou Amy Pope, diretora-geral da OIM. Segundo ela, “essas mortes não são inevitáveis. Quando as vias seguras estão fora de alcance, as pessoas são forçadas a empreender viagens perigosas e a cair nas mãos de contrabandistas e traficantes. Devemos agir agora para expandir as rotas seguras e garantir que aqueles que precisam de ajuda possam ser protegidos, independentemente de seu status.”
Embora o número de mortes ao longo das rotas migratórias tenha caído para 7.667 em 2022, em comparação com quase 9.200 em 2021, essa diminuição não reflete uma melhoria nas condições. A OIM aponta que o acesso reduzido a informações e a falta de recursos financeiros dificultaram os esforços para rastrear essas tragédias.
As rotas marítimas continuam a ser as mais letais, com pelo menos 2.108 mortes registradas no Mediterrâneo e 1.047 na rota atlântica em direção às Ilhas Canárias, na Espanha. Além disso, aproximadamente 3 mil mortes de migrantes foram documentadas na Ásia, sendo mais da metade delas de afegãos. No Chifre da África, 922 pessoas perderam a vida ao tentarem cruzar a região, um aumento significativo em relação ao ano anterior, com a maioria das vítimas sendo etíopes, muitas delas em naufrágios em massa.
Diante dessa situação crítica, a OIM e outros grupos humanitários enfrentam grandes cortes de financiamento, especialmente dos EUA, o que tem levado ao fechamento ou redução de programas essenciais. Essas mudanças têm um impacto direto e severo sobre a vida dos migrantes que buscam segurança e melhores condições de vida.
A necessidade de uma resposta global e humanitária é mais urgente do que nunca. É fundamental que a comunidade internacional se una para criar caminhos seguros para a migração e garantir a proteção dos mais vulneráveis.
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