A pesquisa sobre biologia subterrânea no Brasil destaca a necessidade urgente de monitoramento ambiental eficaz desses ecossistemas frágeis, que desempenham papéis cruciais na gestão do armazenamento de água e na preservação de registros arqueológicos e geológicos. Gabrielle Nunes, a pesquisadora envolvida no estudo, enfatiza que a ciência cidadã pode facilitar a interação entre a população e a gestão dos Parques Estaduais, além de reduzir conflitos na administração desses espaços.
O desenvolvimento do protocolo de monitoramento ambiental foi dividido em duas etapas principais: uma revisão bibliográfica e a aplicação de um questionário para especialistas. A revisão abrangeu pesquisas publicadas entre 2009 e 2019 e analisou os planos de manejo de cada unidade de conservação relevante. A partir da consolidação dos dados, um questionário foi elaborado, focando em desafios, boas práticas e recomendações para o monitoramento.
Apesar da ausência de estudos que abordassem a ciência cidadã especificamente no contexto de cavernas, a pesquisa conseguiu identificar boas práticas internacionais que foram adaptadas à realidade brasileira. O trabalho se baseou em experiências prévias e nas respostas dos especialistas, culminando na elaboração de um protocolo seguro e aplicável.
As respostas coletadas revelaram que algumas boas práticas estavam alinhadas com as recomendações internacionais, enquanto outras foram adaptadas às especificidades dos desafios enfrentados no Brasil. Entre as indicações mais relevantes, destacam-se a transparência dos dados, a definição clara de protocolos, a diversidade no perfil dos cidadãos que coletam dados e a avaliação da percepção dos participantes sobre os programas de monitoramento.
Os planos de manejo analisados categorizaram indicadores em quatro grupos: sociais ou antrópicos, bióticos, físicos ou abióticos e climáticos, sendo que o último é uma característica exclusiva do Parque Estadual de Intervales. A pesquisa resultou na definição de vários indicadores para cada categoria: seis indicadores sociais (como danos à estrutura), quatro bióticos (alterações na fauna), oito físicos (qualidade da água) e quatro climáticos (temperatura).
Os levantamentos indicaram que muitos desses indicadores podem ser monitorados por cidadãos comuns, o que mostrou resultados positivos na maioria dos casos, desde que os participantes recebam acompanhamento ou um treinamento básico. O professor envolvido na pesquisa ressalta que a presença constante de cidadãos observando esses indicadores gera uma grande quantidade de dados que podem auxiliar na tomada de decisões, mesmo sem a presença contínua dos gestores.
A coleta de dados não apenas beneficia o ambiente, mas também enriquece a experiência dos cidadãos cientistas. Segundo Victor Ranieri, os participantes se beneficiam do reconhecimento público por suas contribuições, que podem incluir coautorias em publicações, menções em eventos científicos ou a obtenção de certificados. Isso os faz sentir-se relevantes na tomada de decisões, influenciando as políticas de gestão das unidades de conservação em que atuam.
Em suma, o estudo reforça a importância da ciência cidadã no monitoramento ambiental dos ecossistemas subterrâneos no Brasil, destacando a necessidade de protocolos bem definidos e a inclusão da comunidade na gestão dessas áreas, promovendo uma interação benéfica para todos os envolvidos.
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