Tribunal de Justiça de SC Confirma Suspensão de Lei Anticotas Aprovada por Jorginho Mello

Tribunal de Justiça de SC Confirma Suspensão de Lei Anticotas Aprovada por Jorginho Mello

TJSC Mantém Suspensão de Lei Anticotas em Santa Catarina

Na última quarta-feira (18), o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) decidiu manter a liminar que suspendeu os efeitos da Lei nº 19.722/2026. Sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL), a norma proíbe a adoção de cotas e outras políticas de ações afirmativas nas universidades públicas estaduais e em instituições privadas que recebem recursos do governo.

Decisão Judicial e Contexto

A decisão do TJSC ocorreu após um pedido do governo estadual para suspender o trâmite de uma ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que questiona a validade da lei. O tribunal negou o pedido, argumentando que não havia justificativa para interromper a jurisdição constitucional estadual, especialmente na ausência de uma decisão da Suprema Corte sobre um caso semelhante.

A desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, responsável pela decisão, afirmou que a suspensão integral do processo resultaria em um esvaziamento da tutela cautelar já concedida. “Preserva-se, por ora, a eficácia da medida liminar deferida, sem prejuízo de ulterior reavaliação”, ressaltou a magistrada.

Liminar Provisória e Implicações

A liminar, que impede temporariamente a aplicação da lei anticotas, foi concedida em janeiro e visa proteger a continuidade de políticas de inclusão no ensino superior. A lei em questão proibia cotas raciais, de gênero, indígenas e quilombolas, além de estabelecer sanções administrativas e a possibilidade de corte de verbas para instituições que não cumprissem a norma.

A desembargadora destacou que a vigência da lei já estava causando impactos negativos na organização administrativa das universidades e na definição de critérios para ingresso e contratação de alunos. Adicionalmente, a decisão apontou indícios de inconstitucionalidade formal, uma vez que a norma, de iniciativa parlamentar, impõe sanções que poderiam ser de competência exclusiva do chefe do Poder Executivo, conforme a Constituição estadual.

Movimento Contra a Lei

Desde sua tramitação na Assembleia Legislativa, a proposta enfrentou forte oposição de entidades do movimento estudantil e organizações da sociedade civil, sendo considerada um retrocesso nas políticas de inclusão. A lei foi sancionada sem um período de vacância, o que a tornou imediatamente aplicável, afetando programas de acesso para estudantes historicamente excluídos do ensino superior em Santa Catarina.

Posição da Procuradoria-Geral da República

Em um parecer apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) também manifestou preocupação com os “efeitos irreversíveis ou de difícil reversão” da lei. O órgão solicitou a suspensão imediata da norma e a sua análise pelo Supremo, destacando a urgência da situação devido ao potencial impacto nos processos seletivos em andamento.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enfatizou que a política de cotas já foi legitimada em diversas decisões do STF, reforçando a importância de preservar as ações afirmativas no acesso ao ensino superior.

Com a liminar em vigor, a aplicação da Lei nº 19.722/2026 permanece suspensa até que o TJSC emita um julgamento definitivo sobre a ação proposta pelo PSOL.

Fonte: Link original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Categorias

Publicidade
Publicidade

Assine nossa newsletter

Publicidade

Outras notícias