A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP conduziu um levantamento para entender a incorporação da inteligência artificial (IA) na rotina acadêmica de seus docentes. A pesquisa, que coletou respostas de 102 professores, cerca de 49% do total, revelou um panorama sobre as práticas, percepções e desafios do uso de ferramentas de IA no ensino superior.
Os dados indicam que 65,6% dos docentes utilizam ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Copilot, em suas atividades acadêmicas, embora o uso ainda seja pontual e não sistematizado. Este cenário sugere que a adoção da tecnologia está em um estágio inicial. Por outro lado, 34,3% dos professores não utilizam tais ferramentas, e entre eles, 11,8% expressaram interesse em começar a utilizá-las, apontando para uma hesitação mais do que uma rejeição.
Os docentes que utilizam IA frequentemente a empregam na mediação textual, como na revisão gramatical e tradução de resumos acadêmicos, sugerindo que a tecnologia é vista predominantemente como um suporte para a escrita científica. Há também indícios de que esses docentes estão começando a usar a IA em tarefas mais complexas, como elaboração de questões e planejamento de aulas, embora com menor frequência.
Os impactos da IA nas atividades acadêmicas são, em sua maioria, percebidos de forma positiva pelos docentes, que destacam benefícios como agilidade e organização. No entanto, existem preocupações quanto à confiabilidade das respostas das ferramentas e questões éticas relacionadas à autoria e transparência no uso.
Além disso, mais da metade dos professores já notou ou suspeitou do uso de IA por parte dos alunos em atividades acadêmicas, o que levanta questões sobre a avaliação e a aprendizagem em modelos tradicionais, uma vez que o uso indiscriminado da tecnologia pode comprometer o desenvolvimento da autoria e do pensamento crítico.
A pesquisa também destaca a falta de diretrizes institucionais claras para o uso da IA, o que gera incertezas éticas e metodológicas entre os docentes, especialmente em relação a temas como plágio e boas práticas acadêmicas. Apesar disso, a FFCLRP já iniciou a implementação de diretrizes na pós-graduação, incluindo a obrigatoriedade de declaração sobre o uso de ferramentas de IA em dissertações e teses.
A diretora da FFCLRP, Christie Ramos Andrade Leite Panissi, afirma que a universidade está em processo de construção de diretrizes e iniciativas que promovem o uso ético da IA, como a criação do Escritório de Transformação Digital e Inteligência Artificial.
Os coordenadores da pesquisa, Marcia Regina da Silva e Clarice Sumi Kawasaki, observam que o levantamento revela uma demanda por orientações que equilibrem princípios éticos e a autonomia docente, com uma ênfase em formação e diálogo em vez de controle normativo. A formação docente é um desafio central, pois 34,3% dos professores não discutiram o uso ético da IA em sala de aula, frequentemente devido à falta de preparo técnico ou suporte institucional.
Em resumo, o cenário atual na FFCLRP indica uma adesão crescente à tecnologia, mas a integração plena da IA na educação depende de uma mediação pedagógica eficaz e do desenvolvimento de competências críticas, além de diretrizes institucionais claras.
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