Ex-Sócio da Fictor Tece Relações Políticas em Brasília Antes de Compra Frustrada do Banco Master
Luiz Phillippe Rubini, ex-sócio do Grupo Fictor, foi uma figura central nas articulações políticas que cercaram a tentativa de aquisição do Banco Master, ocorrida no final de 2022. Segundo informações, Rubini realizava visitas regulares à residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados em Brasília, onde se encontrava com o deputado federal Hugo Motta (Republicanos/PB) para discutir as estratégias de "salvação" da instituição financeira.
Durante os meses de setembro e outubro do ano passado, Rubini compareceu à residência do deputado quase semanalmente, geralmente nas terças ou quartas-feiras, para um café da manhã que, segundo fontes, serviria como palco para conversas sobre o futuro do Banco Master. Naquela época, a Fictor já havia iniciado negociações com Daniel Vorcaro, que também mantinha contato com Motta e outros membros do Centrão.
No dia 16 de outubro, a Fictor firmou um contrato de R$ 500 milhões com a Titan Capital, holding que controla os investimentos pessoais de Vorcaro, registrada em um paraíso fiscal. Um mês depois, a empresa manifestou oficialmente a intenção de adquirir o Banco Master. Em uma declaração, Rubini negou qualquer vínculo com o deputado Hugo Motta e afirmou que não houve reuniões formais entre eles, esclarecendo que não participou das negociações em questão, já que não era mais parte da Fictor à época.
As investigações em torno da compra do Banco Master se intensificaram após a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades no Sistema Financeiro Nacional. O Banco Central, em seguida, decidiu liquidar a instituição. A PF está apurando possíveis fraudes e a conexão do Grupo Fictor com as irregularidades do banco, especialmente após pedidos de recuperação judicial por parte de empresas do grupo.
A Permanência de Rubini na Fictor e Suas Relações
Embora Rubini tenha anunciado sua saída da Fictor em dezembro de 2024, ele continuou atuando nos escritórios da empresa em São Paulo e Brasília até novembro de 2025. Atualmente, ele é credor da Fictor em R$ 34,4 milhões e manteve o cargo de conselheiro em empresas do grupo até outubro do ano passado.
Gravações de reuniões internas da Fictor revelam que, em um encontro realizado em janeiro, o CEO da empresa, Rafael Paixão, reconheceu a crise reputacional enfrentada pela companhia, destacando a importância de lutar pela sobrevivência do negócio em meio à tempestade.
Rubini foi responsável por alugar uma mansão em Brasília, que servia como escritório da Fictor e era utilizada para encontros com políticos e empresários. Em resposta a alegações de irregularidades, o empresário reafirmou que o imóvel era um espaço legítimo de trabalho, frequentado por colaboradores.
Um Perfil Polêmico
Aos 39 anos, Rubini se apresenta como investidor e empreendedor, com especialização em relações institucionais e governamentais. Ele foi convidado a participar de uma frente de diálogo com o Brics em 2024 e, em 2025, nomeado para o Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Presidência da República.
Adicionalmente, Rubini é mencionado em investigações relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, também conhecido como "Lulinha", filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está sob investigação pela PF em um inquérito sobre desvios no INSS. A conexão entre Rubini e Lulinha remonta ao período em que o empresário atuava como agenciador de jogadores de futebol na Espanha.
A complexa rede de relações políticas e empresariais envolvendo Rubini e o Grupo Fictor continua a ser alvo de escrutínio, refletindo os desafios enfrentados por investidores em um cenário marcado por controvérsias e investigações.
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