Argentina Aprova Reforma Trabalhista que Amplia Jornada para 12 Horas e Restringe Greves

Argentina Aprova Reforma Trabalhista que Amplia Jornada para 12 Horas e Restringe Greves

Câmara dos Deputados da Argentina Aprova Reforma Trabalhista em Meio a Protestos e Greves

Na madrugada desta sexta-feira (20), a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, em meio a expressivos protestos e uma greve geral, a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. Com mais de 200 artigos, a nova legislação traz significativas mudanças ao sistema trabalhista do país, gerando reações intensas entre trabalhadores e sindicatos.

A reforma permite a extensão da jornada de trabalho diária de 8 para até 12 horas. Outras medidas incluem a criação de um banco de horas, permitindo que horas extras não sejam pagas imediatamente, e a imposição de limitações ao direito de greve. Durante a tramitação no Senado, foi eliminada a proposta original que permitia o pagamento de salários com moradia ou alimentação, estabelecendo que a remuneração deve ser feita exclusivamente em dinheiro, seja em moeda nacional ou estrangeira.

Além disso, os deputados decidiram suprimir a possibilidade de reduzir salários em 50% durante afastamentos por licença médica. Com essas alterações, a proposta retornará ao Senado para nova avaliação.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT), principal central sindical da Argentina, organizou uma paralisação nacional de 24 horas em protesto contra a reforma, alegando que a adesão foi de 90%. Jorge Sola, co-secretário da CGT, criticou a proposta, afirmando que ela representa um retrocesso de 100 anos em direitos trabalhistas, favorecendo uma transferência de recursos dos trabalhadores para os empregadores.

Por outro lado, o governo de Milei defende que as mudanças visam aumentar a formalidade no mercado de trabalho, reduzindo os custos de contratação. Gabriel Bornoroni, deputado do partido de Milei, afirmou que a lei busca formalizar 50% dos trabalhadores informais, promovendo um avanço necessário para o país.

A Argentina se distancia de outras nações latino-americanas, como Brasil e México, onde já se discutem reformas trabalhistas que buscam melhorar as condições de trabalho. Enquanto o Brasil considera a eliminação da jornada de seis dias de trabalho, o México aprovou recentemente a redução da carga horária semanal de 48 para 40 horas.

Limitação do Direito à Greve

Uma das críticas mais contundentes dos sindicatos é a restrição imposta ao direito de greve. A nova legislação determina que assembleias de trabalhadores só poderão ocorrer durante o horário de trabalho com a autorização prévia dos empregadores. Além disso, serviços essenciais, como transporte e produção de alimentos, serão limitados a 25% ou 50% de paralisação, dependendo da atividade.

Outras Alterações Significativas

A reforma também revoga estatutos profissionais específicos, como os de jornalistas e motoristas privados, e permite que empresas negociem condições inferiores às definidas em acordos nacionais. Outro ponto polêmico é a criação do Fundo de Assistência Laboral (FAL), destinado a financiar demissões, o que, segundo os sindicatos, pode tornar o processo de desligamento menos oneroso para as empresas.

Além disso, a reforma prevê a transferência de atribuições da Justiça Nacional do Trabalho para a justiça comum ou federal, e permite que as férias sejam divididas a critério do empregador, garantindo apenas um mínimo de 7 dias consecutivos.

Por fim, a nova legislação também regulamenta o trabalho por meio de aplicativos, classificando esses trabalhadores como "prestadores independentes", sem reconhecimento de vínculo empregatício. A reforma revoga ainda a legislação que obriga as empresas a custearem despesas relacionadas ao trabalho remoto, como internet e energia.

As implicações desta reforma continuarão a ser debatidas, refletindo a polarização política e social que caracteriza o atual cenário argentino.

Fonte: Link original

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