Eleições no Peru: Frustração e Incerteza com Contagem de Votos Pendentes
Na segunda-feira, quase 50% da contagem oficial de votos das eleições gerais no Peru ainda estava pendente, gerando crescente frustração entre os eleitores. A conservadora Keiko Fujimori lidera a disputa, mas a possibilidade de um segundo turno em junho parece iminente, uma vez que nenhum candidato se aproxima da marca dos 50% necessários para uma vitória direta.
Longas filas se formaram em Lima, onde muitos eleitores retornaram às seções eleitorais para votar, após problemas na entrega das cédulas no dia anterior. De acordo com a ONPE, a autoridade eleitoral do Peru, Fujimori, ex-congressista e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, lidera com cerca de 17% dos votos, seguida pelo ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, com 15%, e Jorge Nieto, um candidato de centro-esquerda, com 14%. Até o momento, apenas 54% dos votos foram contabilizados.
A ausência de um candidato claro à frente das eleições e a proximidade dos resultados sugerem a necessidade de um segundo turno, marcado para 7 de junho. Isso prolonga a incerteza política em um país que já enfrenta desafios significativos, como o aumento da criminalidade e a crescente competição geopolítica entre Estados Unidos e China.
Para atender mais de 50 mil eleitores que não puderam votar no domingo, o horário de votação foi estendido até as 18h, horário local, nesta segunda-feira. Algumas seções eleitorais em Lima abriram com atraso devido a problemas logísticos na distribuição de materiais, o que gerou críticas. José Samame, diretor administrativo da ONPE, assumiu a responsabilidade pelos atrasos, pediu demissão e foi detido pela polícia em meio a uma investigação.
Angela Rios, uma eleitora em San Juan de Miraflores, expressou sua indignação: "Isso é uma injustiça. Ontem esperamos na fila e hoje todos nós temos que trabalhar. Ninguém vai nos compensar pelo nosso dia." A ONPE havia previsto que 60% dos resultados estariam disponíveis até a meia-noite de domingo, meta que não foi alcançada.
As cédulas de Lima, que normalmente são contadas primeiro, representam cerca de um terço do eleitorado, onde tanto Fujimori quanto López Aliaga têm forte apoio. Em meio a margens apertadas, qualquer um dos quatro principais candidatos pode avançar para o segundo turno, o que intensifica as preocupações sobre possíveis alegações de fraude eleitoral. Nicholas Watson, da consultoria Teneo, destacou que "qualquer candidato que perder por pouco pode argumentar que sua derrota se deve à incompetência da ONPE".
Keiko Fujimori comentou que ainda há "muito caminho a percorrer" enquanto o país se aproxima do segundo turno, refletindo um sentimento de desilusão entre os eleitores. López Aliaga, do partido Renovação Popular, afirmou que não permitirá uma "fraude brutal", apontando que a maioria das seções problemáticas estava em Lima, onde ele tem apoio considerável. Nieto, por sua vez, viu seu apoio crescer nas pesquisas pré-eleitorais e se posiciona como um forte concorrente.
A instabilidade política no Peru, marcada por oito presidentes desde 2018, alimenta o ceticismo sobre a duração de qualquer nova administração em um cenário repleto de impeachments e escândalos de corrupção. Associações empresariais manifestaram preocupação com a incerteza eleitoral, ressaltando que os problemas enfrentados nas eleições impactam não apenas a corrida presidencial, mas também as disputas para o Senado e outras autoridades.
Essa situação de tensão e expectativa continua a dominar o cenário político peruano, à medida que os cidadãos aguardam a conclusão da contagem de votos e o desfecho desse importante evento democrático.
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