Prefeitura de SP mantém sigilo sobre gravação da Brasil Paralelo

Prefeitura de SP mantém sigilo sobre gravação da Brasil Paralelo

Sigilo na Gravação de Documentário em Escola Municipal de São Paulo Gera Polêmica

A Spcine, órgão da Prefeitura de São Paulo, instaurou sigilo em relação ao processo de autorização para que a produtora Brasil Paralelo realizasse gravações em uma escola municipal. O documentário, intitulado “Pedagogia do Abandono”, foi filmado na Emei Patrícia Galvão, localizada no centro da capital paulista, e aborda críticas à educação infantil no Brasil, alegando que as creches propagam “ideologia de gênero” e apresentam baixa qualidade.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) confirmou a autorização para a filmagem, mas não informou a direção da escola, os professores ou as famílias sobre os conteúdos abordados no documentário. A Prefeitura justificou o sigilo, afirmando que se trata de uma medida de proteção de dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Essa legislação, em vigor desde 2018, regula a privacidade de dados pessoais, mas não se aplica a informações sobre pessoas jurídicas.

A Bancada Feminista do PSOL, composta por vereadoras da cidade, protocolou uma ação no Ministério Público pedindo a suspensão imediata da autorização concedida pela Prefeitura e a divulgação das imagens gravadas. Além disso, a bancada solicita explicações sobre o sigilo que envolve o processo.

Guilherme Klafke, professor da FGV Direito SP, aponta que a LGPD não revoga a Lei de Acesso à Informação (LAI), que assegura o direito à transparência nos assuntos públicos. Para ele, o ideal seria que informações que contenham dados pessoais fossem divulgadas com a devida anonimização, em vez de serem mantidas em sigilo absoluto.

Klafke também destaca que a filmagem de crianças sem o consentimento dos pais pode infringir tanto a LGPD quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A direção da Emei Patrícia Galvão afirmou que foi informada de que as gravações ocorreriam em ambientes sem a presença dos alunos. No entanto, um trailer do documentário exibe crianças uniformizadas, levantando preocupações sobre a validade da autorização.

A Brasil Paralelo, que se consolidou no cenário nacional com documentários de viés conservador, critica práticas educacionais como a matrícula obrigatória de crianças a partir dos quatro anos, estabelecida pela Constituição Federal em 2009. A produtora utiliza trechos polêmicos para reforçar suas posições, como a cena em que um cinegrafista tenta filmar um cartaz com a imagem de Paulo Freire, mas é impedido por um funcionário da escola.

A Prefeitura de São Paulo e a Brasil Paralelo foram contatadas para esclarecer a situação, mas não responderam aos questionamentos feitos. A controvérsia em torno do documentário e o sigilo na autorização de filmagens levantam questões importantes sobre a transparência na gestão pública e os direitos das crianças no ambiente escolar.

Fonte: Link original

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