O Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil está se preparando para sua próxima reunião, onde é amplamente esperado que a taxa Selic seja reduzida em 0,25 ponto percentual, atingindo 14,5% ao ano. Essa expectativa é motivada principalmente pela incerteza em relação ao conflito no Oriente Médio, que impacta os preços de combustíveis e alimentos. A reunião ocorrerá com a ausência de alguns diretores, o que pode influenciar a dinâmica das decisões.
Economistas apontam que a inflação atual, as expectativas de inflação em piora e o aumento dos preços do petróleo exigem uma abordagem mais cautelosa do Copom. Essa cautela pode resultar em cortes de juros mais lentos do que o inicialmente previsto, especialmente considerando o contexto geopolítico e econômico em evolução desde que os Estados Unidos e Israel intensificaram suas ações contra o Irã. O Itaú Unibanco, por exemplo, revisou suas projeções para a Selic no final do ciclo, aumentando a expectativa de 12,25% para 13%.
Dados do boletim Focus revelam que a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também está em ascensão, refletindo uma preocupação contínua com a inflação. Para 2026, a projeção do IPCA subiu para 4,86%, acima do teto da meta do Banco Central (4,5%). Para 2027, a expectativa alcançou 4%, e para 2028, 3,61%. Essa trajetória sugere que os mercados estão precificando um risco geopolítico mais elevado, especialmente em relação ao estreito de Hormuz, o que pressiona os preços do petróleo.
A economista Solange Srour, do UBS Global Wealth Management, destaca que o Banco Central deve adotar uma postura dependente de dados, buscando clareza sobre os impactos de choques econômicos recentes antes de tomar decisões. Ela observa que a desaceleração econômica no Brasil será gradual, em parte devido a uma política fiscal expansionista, e alerta para o risco de uma inflação crescente. Segundo Srour, a falta de credibilidade na política fiscal brasileira dificulta o controle das expectativas de inflação.
Além disso, a desconfiança em relação ao cumprimento das metas de inflação, refletida no histórico de surtos inflacionários do Brasil, contribui para um cenário desafiador. A economista argumenta que, sem um horizonte claro de estabilização da dívida pública, será difícil ancorar as expectativas de inflação.
Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, também vê limitações na capacidade do Copom de reduzir os juros substancialmente, prevendo que a Selic ao final de 2026 ficará pelo menos um ponto percentual acima das projeções anteriores ao conflito no Irã. Ele observa que a trajetória dos preços do petróleo será crucial para determinar o espaço do Banco Central para acelerar os cortes de juros.
Em resumo, a reunião do Copom será crucial em um ambiente econômico marcado por incertezas geopolíticas e pressões inflacionárias, exigindo uma abordagem cautelosa em relação à política monetária e à gestão das expectativas de inflação no Brasil. As decisões tomadas nesta “superquarta” terão implicações importantes para o futuro econômico do país.
Fonte: Link original





























