A Polícia Federal (PF) está investigando um suposto caso de contrabando envolvendo um voo particular em que estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ocorrido em abril de 2025. Durante a chegada ao aeroporto de São Roque, em São Paulo, cinco malas não foram submetidas à fiscalização de raio-X, o que levantou suspeitas acerca da liberação irregular das bagagens. O auditor fiscal responsável, Marco Antônio Canella, autorizou que o piloto do avião, José Jorge de Oliveira Júnior, passasse pela área de fiscalização sem a necessária verificação das malas.
O voo em questão partiu da ilha caribenha de São Martinho e foi realizado em um avião particular pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG. Este empresário já havia sido alvo de investigação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, que analisa irregularidades no setor de apostas. A presença dos parlamentares na lista de passageiros do voo levou a PF a encaminhar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que fossem tomadas as devidas providências legais.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a continuidade das investigações. A PF, em suas apurações, afirmou que não havia informações sobre a propriedade das malas, dificultando a afirmação ou a exclusão do envolvimento dos parlamentares no caso. A PF declarou: “Não há, portanto, como descartar a possibilidade de envolvimento de um ou mais passageiros detentores de prerrogativa de foro nos delitos sob apuração nos presentes autos ou em outras práticas delitivas que porventura vierem a ser reveladas no curso das investigações”.
Hugo Motta, em uma nota oficial, confirmou a sua presença no voo, mas defendeu que cumpriu todos os protocolos e determinações legais ao desembarcar. Os outros parlamentares que estavam no voo, Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), não se manifestaram publicamente sobre a situação.
O caso é emblemático e gerou grande repercussão, especialmente por envolver figuras de destaque na política brasileira e por levantar questões sobre a fiscalização e a segurança em aeroportos. A investigação da PF e o acompanhamento do STF revelam a seriedade com que as autoridades estão tratando o assunto, considerando as implicações potenciais de corrupção e irregularidades no transporte de bens.
A revelação desse caso não só acende um alerta sobre possíveis práticas ilícitas no setor de aviação e na política brasileira, mas também traz à tona a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa e transparente em todos os níveis, especialmente em situações que envolvem representantes do governo. A continuidade das investigações e a possível responsabilização dos envolvidos são essenciais para garantir a integridade das instituições e a confiança da população nas autoridades públicas.
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