Família brasileira-libanesa é vitimada por bombardeio em Bint Jbeil, no Líbano
No último fim de semana, uma tragédia abalou a comunidade brasileira-libanesa. A família, composta por Manal Jaafar, de 47 anos, seu filho Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e o pai do menino, Ghassan Nader, de 57 anos, foi morta em um ataque aéreo israelense enquanto tentava resgatar pertences de sua casa em Burj Qalowayh, no distrito de Bint Jbeil. A residência foi completamente destruída e, até o momento, os corpos ainda não foram localizados nos escombros.
A família havia deixado sua casa às pressas no início da atual fase do conflito, em 2 de março, buscando abrigo em Beirute. Com o anúncio de um cessar-fogo em 16 de abril, decidiram retornar a Bint Jbeil no último sábado (25) para recuperar itens essenciais antes de retornar à capital. O irmão de Ghassan, Bilal Nader, que reside em Foz do Iguaçu (PR), revelou que ele planejava voltar no dia seguinte, mas acabou passando a noite na casa, onde ocorreu o bombardeio.
Bilal compartilhou que, com a trégua, muitos começaram a retornar às suas casas. “Ele estava apenas juntando algumas coisas e planejava voltar rapidamente. O carro já estava ligado e com o porta-malas preparado”, lembrou. O ataque também deixou outro filho do casal, Kassam Nader, de 21 anos, ferido. Ele se recuperou e recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (28).
Com mais dois filhos mais velhos vivendo no exterior, a família Nader tinha uma história de vida marcada pelo Brasil, onde residiram por mais de 15 anos. Manal adquiriu a nacionalidade brasileira, enquanto Ghassan, um comerciante de eletroeletrônicos, não conseguiu regularizar sua situação devido à rotina de trabalho intensa. Amigo da família, o jornalista libanês naturalizado brasileiro, Ali Farhat, destacou a cultura e a dedicação de Ghassan à comunidade.
Violação do cessar-fogo
O bombardeio é um dos muitos incidentes que levantam preocupações sobre a fragilidade do cessar-fogo no Líbano, que tem sido repetidamente violado por Israel. O Hezbollah, grupo político-militar xiita, anunciou sua intenção de responder a essas violações. A situação se agrava com a pressão do Irã para que o cessar-fogo se aplique a toda a região.
Em comunicado, a Casa Branca afirmou que Israel só poderia realizar ataques em legítima defesa. O governo israelense tem defendido uma ocupação mais ampla do Sul do Líbano, enquanto ações como o bombardeio de infraestrutura civil foram criticadas como crimes de guerra.
Contexto do conflito
O atual conflito entre Israel e o Hezbollah começou em outubro de 2023, em resposta a ataques do grupo contra o norte de Israel, em solidariedade ao povo palestino. Desde então, diversas tentativas de cessar-fogo foram feitas, mas frequentemente desrespeitadas.
O especialista em geopolítica, Anwar Assi, enfatizou que as táticas de Israel visam a expulsão da população civil do Sul do Líbano, destruindo escolas e hospitais para dificultar o retorno dos civis. Enquanto isso, a alegação israelense é de que busca garantir uma zona de segurança contra ataques.
O Líbano abriga a maior comunidade de brasileiros no Oriente Médio, com cerca de 22 mil pessoas vivendo no país em 2023, conforme dados do Ministério das Relações Exteriores. O Brasil já se manifestou contra os ataques durante o cessar-fogo, ressaltando a necessidade de proteção à vida civil.
A tragédia da família Nader é um lembrete sombrio da complexidade e da gravidade do conflito que assola a região, afetando vidas inocentes e comunidades inteiras.
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