Agroecologia e Justiça Climática: Enfrentando as Mudanças Climáticas

Pesquisadoras e pesquisadores estudam o Método Lume em Oficina de Formação

Encontro em Viçosa Discute Agroecologia e Mudanças Climáticas na Zona da Mata Mineira

Entre os dias 10 e 12 de junho, a cidade de Viçosa, em Minas Gerais, foi palco de um encontro importante que reuniu especialistas e representantes de diferentes regiões do Brasil para debater o papel da agroecologia frente aos desafios das mudanças climáticas. O evento, promovido pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), teve como objetivo compartilhar experiências e fortalecer laços entre aqueles que atuam na busca de soluções sustentáveis.

As atividades ocorreram no Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM), um espaço que simboliza a luta pela agroecologia. Durante os três dias de programação, os participantes mergulharam em um ambiente repleto de sementes crioulas, bandeiras de movimentos sociais e publicações que refletem as lutas por justiça climática. O encontro se organizou em torno do Método Lumeque, que será fundamental para as iniciativas nos próximos meses.

A urgência do debate ficou evidente quando um abaixo-assinado contra o despejo de esgoto não tratado em um rio local foi circulado entre os participantes. Essa ação ilustra a necessidade de uma abordagem sistêmica nas experiências agroecológicas, que são afetadas tanto por questões locais, como a poluição, quanto por problemas globais, como a alta nos preços de combustíveis.

A Agroecologia em Araponga: Um Exemplo de Resistência e Autonomia

Uma das visitas realizadas durante o encontro levou os participantes à comunidade do Córrego São Joaquim, em Araponga. Ali, agricultores e agricultoras compartilharam suas histórias de resistência e organização, que remontam à conquista coletiva da terra na década de 1980. A luta por autonomia levou à implementação de práticas agroecológicas que fortalecem a biodiversidade e a resiliência das famílias frente às mudanças climáticas.

Maria Rosânia Lopes Duarte, diretora da Escola Família Agrícola (EFA) Puris, destacou a importância da educação adaptada à realidade local. “A educação é um dos espaços mais férteis para construir agroecologia”, afirmou. Para ela, preparar a juventude para cultivar de maneira sustentável é essencial para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Os agricultores também relataram mudanças significativas no clima, que impactam a produção agrícola. Donizete Lopes, um dos participantes, comentou: “Hoje, calor e chuva não têm época. A agroecologia é uma forma de restaurar o equilíbrio”.

Belisário: A Defesa da Serra Sagrada

Outro grupo visitou Belisário, no município de Muriaé, onde a comunidade se mobiliza para proteger a Serra do Brigadeiro, ameaçada pela mineração. Durante a visita à Vila Franciscana, os moradores compartilharam suas experiências de resistência e a importância da agroecologia na preservação da cultura e da identidade local.

A agricultora Lourdes Calais relatou os impactos das mudanças climáticas na produção de alimentos, especialmente no cultivo de arroz. “Se não tivéssemos feito esse trabalho de reflorestamento, hoje não teríamos água nem para beber”, destacou.

Jean Carlos, da Fraternidade dos Franciscanos de Santa Maria, ressaltou que a mobilização coletiva tem sido essencial para proteger o território contra a mineração. “A Serra é considerada um território sagrado. Nela, nascem os alimentos, as festas e as tradições”, afirmou.

Desdobramentos e Reflexões Finais

O encontro na Zona da Mata Mineira não apenas reforçou a importância da agroecologia como uma resposta às mudanças climáticas, mas também estabeleceu uma rede de colaboração que se estenderá a outros territórios brasileiros. A pesquisa-ação iniciada em Viçosa será ampliada para incluir áreas como a Terra Indígena Cachoeirinha, no Mato Grosso do Sul, e o Projeto de Assentamento Agroextrativista Lago Grande, no Pará.

Helena Lopes, pesquisadora da Fiocruz e uma das coordenadoras da iniciativa, enfatizou que a construção de conhecimento deve ocorrer em conexão com as comunidades locais. “As experiências são diversas, mas todas apontam para um caminho comum: a construção da agroecologia e a promoção da justiça climática”, concluiu.

Com a união de saberes e práticas, o encontro em Viçosa se mostrou uma etapa crucial na luta por um futuro mais sustentável e justo para todos.

Fonte: Link original

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