Debate sobre cotas em SC é alvo de ataque da extrema direita

Debate sobre cotas em SC é alvo de ataque da extrema direita

Tumulto marca sessão do Conselho Universitário da Udesc sobre ações afirmativas

Nesta quinta-feira (9), uma sessão do Conselho Universitário (Consuni) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) foi interrompida por um tumulto causado por pré-candidatos e integrantes de movimentos de extrema direita. O encontro tinha como pauta a ampliação das políticas de ações afirmativas na instituição, um tema que tem gerado intensas disputas.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostram momentos de confusão, com empurrões, gritos e agressões entre os presentes. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Udesc denunciou que estudantes foram agredidos por membros do Partido Missão, do Partido Liberal (PL) e do Movimento Brasil Livre (MBL). Segundo o DCE, o grupo tinha como objetivo provocar os participantes e obstruir a votação da proposta.

Entre os envolvidos, estavam Bruno Souza, pré-candidato a deputado estadual pelo PL, e Felipe Barcellos, pré-candidato a deputado federal pelo Partido Missão. O DCE afirmou que "o objetivo deles era inviabilizar a votação sobre a ampliação das políticas de ações afirmativas da universidade".

Beatriz Sell, Secretária-Geral do DCE, descreveu a situação como um “acirramento muito claro” em torno das ações afirmativas. "Essas pessoas não querem que a população negra e de baixa renda tenha acesso à universidade, pois desejam continuar explorando essas pessoas, como fizeram desde a escravidão", declarou.

O DCE classificou a ação como uma "tentativa covarde" de desestabilizar a sessão e acusou integrantes do MBL de agredir mulheres, pessoas negras e estudantes secundaristas. "Fascistas do MBL vieram provocar os estudantes e agrediram mulheres, pessoas negras e alunos secundaristas", afirmou a entidade em suas redes sociais.

A Udesc foi contatada pela equipe de reportagem do ICL Notícias para comentar o incidente, mas até o fechamento deste artigo, não houve resposta. A universidade se mantém aberta a manifestações.

Contexto das ações afirmativas em Santa Catarina

A discussão sobre a ampliação das políticas de ações afirmativas na Udesc ocorre em um cenário tenso em Santa Catarina. Recentemente, o governo do estado, liderado por Jorginho Mello (PL), enfrentou uma derrota no Supremo Tribunal Federal (STF) em relação a uma lei que proibia o repasse de recursos públicos a instituições que adotassem políticas de cotas raciais. A norma foi considerada inconstitucional pelo STF, que, em um julgamento unânime, reafirmou a validade das ações afirmativas.

A lei sancionada por Mello estabelecia restrições que poderiam impactar diretamente a Udesc, que já havia emitido uma nota sobre a inconstitucionalidade da medida. A legislação, que poderia prejudicar estudantes beneficiados por programas de bolsas em instituições privadas, foi contestada por diversas entidades e partidos políticos, incluindo o PSOL.

A situação evidencia a polarização em torno das políticas de inclusão e o papel das universidades na promoção de igualdade de oportunidades.

Fonte: Link original

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